Acreditamos que já haja consenso em torno da afirmação de que florestas, ou mais precisamente árvores, contribuem para a sobrevivência e sustentabilidade do planeta Terra, especialmente pela capacidade que possuem em capturar gases “estufa”, provocadores, sobretudo, de desequilíbrios climáticos.
Suas contribuições além disso, no entanto, são infindáveis. Destruí-las com queimadas, ao contrário, importa em sérios riscos, cujas consequências podem se tornar irreparáveis no tempo.
Infelizmente, o que está acontecendo no Brasil, especialmente nesses últimos anos, não nos credencia a nos gabarmos de possuir extensões de cobertura florestal que nos mantém como um verdadeiro “pulmão” do mundo. Queimadas generalizadas, a maioria quase que absoluta das quais provocadas por interferência humana, são testemunhas e ao mesmo tempo pegadas de uma trajetória de risco crescente que precisa ser bloqueada.
Embora em menor escala, esse risco de queimadas e seus impactos negativos também não deixam de representar preocupações no nosso Espírito Santo. Nesse aspecto, confesso que me surpreendeu uma matéria recente, mais precisamente da semana passado, veiculada pela Gazeta, mostrando estragos causados por incêndios em florestas plantadas, mas também em áreas de florestas naturais, da Suzano, no Norte capixaba. Segundo a mesma fonte, praticamente todos, senão a maioria deles, caracterizados como delituosos, ou seja, provocados para fins escusos.
Somente neste ano, segundo a matéria em questão, foram queimados cerca de 5.300 hectares de florestas plantadas e 303 de florestas naturais. Temos ai duas perdas irreparáveis. A primeira, resultante da própria queima, pela emissão de gases. A segunda, por tornar as árvores ali plantadas inúteis para fins produtivos, além, é claro, da subtração dessas da função nobre de captura do gás maléfico.
Mas o que reputo de maior preocupação em relação a esses atos de verdadeiro “vandalismo” diz mais respeito ao que possam estar representando ou significando em termos de imagem e construção de ambiente para o progresso e o desenvolvimento local de negócios.
E nesse aspecto devemos olhar para o segmento florestal como uma importante base de uma diversidade enorme de cadeias produtivas, podendo atingir níveis elevados de desdobramentos, complexidade e sofisticação. Inclusive para uso têxtil, como demonstrado por pesquisas desenvolvidas pela própria Suzano.
O que podemos chamar de complexo econômico que tem como base florestas plantadas constitui hoje uma das mais importantes especializações econômicas do Espírito Santo. E essa característica encontra historicamente fundamentos nos avanços – tecnologia e inovação – cujo núcleo deflagrador foi a indústria de celulose.
Seus efeitos, para a frente e para trás, e spillovers – espalhamentos positivos – podem ser observados através das contribuições para a construção e intensificação da complexidade econômica, adicionado a sua extensão territorial de impactos.
Cuidemos, pois, de nossas florestas, sejam elas plantadas para fins produtivos ou não.