“Eu nunca vi nada parecido assim, em termo de ‘mina’ bonita. Assim, a fila das refugiadas. Assim, imagina uma fila, sei lá. [...] Uma fila de duzentos metros, só deusa. Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila dos refugiados aqui [na Ucrânia]. [...] Ah e detalhe ‘mano’, detalhe: elas [mulheres ucranianas] olham, cara. Elas olham e vou te dizer: são fáceis porque são pobres.”
Esse trecho em aspas consta nos deploráveis áudios que vazaram do deputado estadual paulista Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, que estava em viagem na Ucrânia. Vale lembrar que esse é mais um dos representantes da “nova política”, que ganhou visibilidade nas últimas eleições brasileiras. O sujeito que fez esses comentários ultrajantes sobre as mulheres ucranianas é mais uma prova de que essa história de “nova política” não passa de conceito e narrativa vazias, sem sustentação. Pura balela, um engodo. Na verdade, o que existe é a boa política de caráter e respeito e a péssima política, tipo a que o deputado paulista e muitos outros praticam no país, a política oportunista, apelativa e de baixo nível.
Em tempo, não me surpreenderia saber que a viagem do citado deputado foi custeada com recursos da Assembleia Legislativa de São Paulo. Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos para saber a verdade sobre quem custeou o turismo do dito cujo deputado pela Europa. Em meio às celebrações do Dia Internacional das Mulher, os mencionados áudios demonstram que não há limite para a falta de empatia, estupidez, machismo e canalhice.
O repugnante comentário do deputado estadual de São Paulo sobre as refugiadas da guerra na Ucrânia revela a face mais perversa da misoginia e desumanidade. Foi uma fala misógina, pois explicita o desprezo à mulher. A partir de uma perspectiva centrada no sexismo e elitismo social, o deputado afirma que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”.
Com esse disparate, ele coloca a mulher em uma posição de subalternidade, a tratando como um objeto ou um pedaço de carne despido de sentimentos, memórias, emoções, coração, personalidade, identidade e história de vida.
Para além disso, a fala do deputado sobre a fila das refugiadas ucranianas despreza o sofrimento alheio e é extremamente desumana. Provavelmente, a citada fila de mulheres ucranianas trazia duzentos metros de rostos marcados pela dor, tristeza e perdas provocadas pela hostilidade do ambiente de guerra instaurado na Ucrânia. Demonstrando um total desrespeito, o deputado paulista se preocupou mais em comparar a fila das refugiadas com a fila da melhor balada do Brasil. É muita futilidade e desumanidade!
Nessa semana que celebramos o Dia da Mulher, devemos repudiar com veemência posicionamentos, como os do deputado paulista, que menosprezam e subjugam as mulheres. A misoginia e o machismo são armas letais que tiram a vida de milhares de mulheres no Brasil todos os anos.
Devemos, também, renovar e reforçar uma ampla mobilização em favor da conscientização contra todas as formas de misoginia, machismo e desumanidade, bem como favorecer o amplo empoderamento feminino. As mulheres constituem a mais importante estrutura da sociedade e são essenciais para o progresso da humanidade e do mundo civilizado.