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Violência

Ataques em Aracruz: o que fazer quando ocorrem atentados em escolas?

Considerando que casos de tiroteios em escolas estão aumentando no Brasil, listamos 5 medidas estruturais de prevenção e 10 ações individuais de proteção

Publicado em 30 de Novembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

30 nov 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

pabloslira@gmail.com

Atirador saindo de escola em Aracruz
Atirador saindo da escola em Aracruz Crédito: Reprodução
Tinha tudo para ser mais uma manhã normal de primavera, mas a última de sexta-feira, 25 de novembro, ficou marcada na História como o dia dos ataques mais violentos às escolas do Estado do Espírito Santo. Por volta de nove horas da manhã, um atirador de 16 anos de idade invadiu a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Primo Bitti e o Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC).
Portando armas de fogo, o sujeito disparou contra várias pessoas, ferindo 12 vítimas e assassinando a estudante Selena Sagrillo e as professoras Maria da Penha Banhos, Cybelle Bezerra e Flavia Amoss. Registramos toda a solidariedade às vítimas, familiares e pessoas afetadas por esse ataque covarde, brutal e desumano.
As investigações iniciais realizadas pela Polícia Civil dão conta de que o atirador, que é ex-aluno da escola Primo Bitti e filho de um tenente da Polícia Militar, planejava os atentados havia dois anos. Ele usou duas armas do pai para cometer os crimes, uma pistola .40, utilizada institucionalmente por policiais militares, um revólver 38, de posse particular, e três carregadores. Além disso, o agressor estava com uma máscara de caveira para cobrir parcialmente o rosto, uma roupa camuflada e uma suástica no braço.
Na primeira escola atacada, o atirador arrombou o cadeado do portão dos fundos para se fazer valer do fator surpresa contra as vítimas e realizar o atentado em alguns minutos. De acordo com relatos das autoridades, essa unidade escolar conta na entrada principal com portão eletrônico e a presença de vigilante. Provavelmente, essas características limitaram as ações covardes do agressor à sala dos professores, que se situa próxima do portão secundário que foi arrombado. Por mais que conhecesse a escola, o atirador não avançou muito nesse espaço talvez por temer um confronto com o vigilante ou pela necessidade de recarregar sua arma.
Por meio do vídeo das câmeras da segunda escola é possível perceber que o atirador chegou às 9 horas, 49 minutos e 6 segundos e saiu às 9 horas, 50 minutos e 9 segundos. O portão principal estava aberto, sem cadeado ou trava eletrônica, e o local não contava com a presença de um vigilante. É provável que esse fator tenha contribuído para a seleção dessa escola no planejamento do atentado. Ademais, a distância entre as duas escolas é de aproximadamente um quilômetro.
Nas cenas divulgadas, ficamos consternados com a covardia e desumanidade do atirador que, em cerca de um minuto, dispara com frieza contra várias vítimas. No vídeo, também chama muita atenção a forma que o atirador avançou na escola. Ele demonstrou conhecer táticas de carregar a arma de fogo, empunhar, mirar e atirar em movimento.
Esses tipos de crimes geralmente têm tempo de duração curto, cerca de dez minutos ou menos. O agressor tem o objetivo de ferir e matar o maior número possível de pessoas. Busca se fazer valer do fator surpresa para adentrar no local e não apresenta um padrão de seleção de suas vítimas.
Infelizmente, os casos de tiroteios em escolas estão aumentando no Brasil, conforme demonstra um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz. Em países como os Estados Unidos esses crimes são conhecidos como tiroteios em massa (“mass shootings”, em inglês). Nos últimos anos, o presidente Bolsonaro vem promovendo um verdadeiro culto ideológico às armas de fogo. Desde o início de seu governo foram editados mais de 40 decretos, portarias e normas que ampliaram exageradamente o acesso às armas de fogo e munições no Brasil.
Considerando que desde 2019 foram registrados cinco casos de atentados a tiro em escolas no Brasil, é muito relevante as escolas desenvolverem planos de segurança e emergência para evitar ou reduzir danos ocasionados por tais crimes, semelhante ao que ocorre ou deveria ocorrer com as ações de evacuação em caso de incêndio.
Algumas medidas estruturais de segurança e de emergência se mostram necessárias nas escolas para prevenir e mitigar ataques como os que ocorreram em Aracruz:
  1. As unidades escolares devem contar com mecanismos de identificação e controle de entrada, vigilância e monitoramento; 
  2. As escolas devem desenvolver planos de segurança e de emergência, com protocolos adaptados às suas especificidades;
  3. Com base em tais planos, orientar e instruir os professores e colaboradores;
  4. Conscientizar os alunos como agir e se proteger em casos de atentados; 
  5. Desenvolver projetos interdisciplinares em favor da cultura de paz e da saúde mental e contra as práticas de bullying, com o envolvimento da família na escola.
Analisando alguns episódios de tiroteios em massa que aconteceram nos Estados Unidos e no Brasil, podemos listar algumas ações individuais de proteção nesses tipos de casos:
  1. Ter conhecimento de onde se situam as saídas da escola e traçar uma rota de fuga;
  2. Na primeira oportunidade, em segurança e evitando chamar atenção do atirador, escapar da escola não se importando com bens materiais deixados para trás;
  3. Se possível, ajudar outras pessoas a evacuar o local atacado;
  4. Sinalizar para que pessoas não entrem no campo de visão do criminoso;
  5. Evitar fazer qualquer tipo de barulho ou gritar para não chamar a atenção do criminoso; 
  6. Se estiver em uma sala e ouvir barulho de tiros, fechar, trancar e/ou obstruir a porta, buscando se proteger atrás de mesas ou móveis, ficando fora do campo de visão do agressor;
  7. Se estiver em um corredor, buscar se proteger dentro de uma sala e manter a porta fechada, trancada e/ou obstruída;
  8. Não acionar alarmes de incêndio ou avisos sonoros que possam gerar correria e aglomerar pessoas em corredores. Essa é uma situação propícia para o criminoso alvejar mais pessoas. Existem casos relatados nos Estados Unidos de que o próprio atirador acionou o alarme de incêndio com tal propósito;
  9. Seguir as orientações de policiais, vigilantes e/ou profissionais da escola; 
  10. Em segurança, ligar para a polícia na primeira oportunidade.
Como visto, os episódios de tiroteios em escolas geralmente têm uma curta duração e envolvem uma carga muito forte de tensão, temor e apreensão. O tipo de reação das vítimas varia de pessoa para pessoa. É muito difícil, mas é importante evitar o pânico e manter a calma. Não existe uma receita fechada do que fazer nessas situações. Por conta disso, as medidas estruturais de segurança e de emergência, bem como as ações de proteção aqui mencionadas são essenciais para a prevenção e mitigação de ataques em escolas.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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