De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), unidades geográficas (país, estado ou cidade) que contabilizam taxas de incidência de dengue acima de 300 casos por 100 mil habitantes são consideradas territórios em situação epidêmica.
No último dia 23 de fevereiro, o Brasil ultrapassou os 760 mil casos prováveis, atingindo um coeficiente de incidência de 375,5 registros por 100 mil habitantes, conforme apontam dados do Ministério da Saúde. Isso indica que o país enfrenta uma epidemia de dengue. Foram contabilizadas 150 mortes pela doença no território nacional até aquele dia.
Seis estados e o Distrito Federal viviam situação epidêmica de dengue até o dia 23 de feveireiro. O DF apresentou a mais elevada taxa de incidência com 2.983,7 casos prováveis por 100 mil habitantes, sendo seguido por Minas Gerais (1.309,6), Acre (799,0), Espírito Santo (706,2), Paraná (666,7), Goiás (665,6) e Rio de Janeiro (355,2). Além disso, São Paulo, a Unidade da Federação (UF) mais populosa do país, se aproxima da situação epidêmica ao apresentar uma taxa de 285,2 casos por 100 mil habitantes.
Até o dia 22 de fevereiro, com exceção do Paraná e São Paulo, todas as UFs aqui citadas declararam estado de emergência por conta da dengue. No dia 5 de janeiro, o Acre foi o primeiro a adotar a medida. No dia 25 de janeiro, o DF decretou a estado de emergência. Em 6 de janeiro foi a vez de Minas Gerais. Depois, no dia 4 de fevereiro Goiás declarou situação de emergência. No dia 21 de fevereiro o Rio de Janeiro decretou epidemia. No mesmo dia, o Espírito Santo decretou situação de emergência em saúde pública. Santa Catarina foi a última UF a declarar o estado de emergência no último dia 22.
O governo federal está organizando ações em conjunto com os estados e municípios para o combate à dengue. O Brasil mobilizou esforços nesse sentido e é a primeira nação do mundo a ofertar vacinas contra a doença no sistema público de saúde. A vacina, que foi aprovada para a utilização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está sendo distribuída para 521 municípios de áreas endêmicas dos estados e DF.
A primeira remessa foi composta por mais de 700 mil doses do imunizante e foi enviada no dia 8 de fevereiro para municípios do Distrito Federal, Goiás, Bahia, Acre, Paraíba, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Amazonas, São Paulo e Maranhão. O segundo lote da vacina contra a dengue, composto por mais de 500 mil doses, foi distribuído em 22 de fevereiro e contemplou municípios de Tocantins, Bahia, Roraima, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina.
A vacinação está priorizando as crianças, uma vez considerado que o maior índice de hospitalização por dengue ocorre na faixa etária de 10 a 14 anos. Nesse momento, essa priorização é necessária devido à capacidade limitada de produção das doses da vacina pelo fabricante.
O Espírito Santo recebeu mais de 58 mil doses e a vacinação foi iniciada no último final de semana. Ademais, considerando o contexto epidemiológico das arboviroses no país, especialmente o contexto relativo às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti como dengue, chikungunya e zika, o governo estadual instituiu o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) de Arboviroses, na última quarta-feira (21/02). Essa estratégia tem o propósito de somar esforços de diferentes setores no combate ao mosquito e diminuir o número de casos e óbitos.
Incialmente o CICC está composto pelas ações integradas da Secretaria da Saúde (Sesa), da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo e do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com a possibilidade de interação de outras instituições, com reuniões programadas semanais, nas quais o monitoramento detalhado da epidemia será atualizado, servindo de base para o planejamento de estratégias e o processo decisório.
Além disso, é muito relevante a ampla mobilização e conscientização da população sobre os riscos para que ações preventivas sejam adotadas intensivamente. Cabe destacar dez ações orientadas pelo governo federal: manter a caixa d’água bem fechada; guardar pneus em locais cobertos evitando o acumulo de água; esvaziar garrafas, potes e vasos; colocar areia em vasos de planta; amarrar bem os sacos de lixo; limpar as calhas e lajes de edificações; não acumular sucata e entulho; utilizar repelente e instalar telas, sobretudo, nas regiões com maior incidência de casos; fazer inspeção no domicílio para eliminar eventuais focos de larvas e receber bem os agentes de saúde e os de controle de endemias.
Assim, com a implementação de ações estratégicas dos governos e instituições e com a sociedade fazendo a sua parte a gestão de risco da epidemia tende ser mais eficiente e eficaz. Vamos seguir juntos somando esforços, todos contra a dengue!