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Crise sanitária

Chamem Oswaldo Cruz, o salvador da pátria

Naqueles tempos, o critério para nomeação na direção de saúde pública era insubstituivelmente a competência científica e o amor ao próximo. Longe do critério atual

Publicado em 08 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

08 fev 2022 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

paulobonates@uol.com.br

Sanitarista Oswaldo Cruz
O médico sanitarista Oswaldo Cruz Crédito: Divulgação
A maioria de nós a conhece pelo nome de Fiocruz, uma instituição salvadora da pátria que deve o nome a Oswaldo Cruz, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro que deu a vida por sua pátria amada na luta contra a peste bubônica, causadora de uma das maiores pandemias do mundo, como foram, também, a varíola, a cólera, a gripe espanhola, a gripe suína, entre outras. Fora as não detectadas ainda.
Oswaldo Cruz nasceu no interior do Estado de São Paulo, em 1872, exatamente no município de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba. Como acontece agora, as autoridades públicas - era o tempo da peste bubônica - não sabiam o que fazer, e daí fabricavam fórmulas, negativismo, e o povo morrendo pela doença que era transmitida por ratos e estava dizimando rapidamente a população brasileira. Para enfrentá-la, era, como é, uma tarefa que exigia uma parceria povo-governo. Mas ficavam apenas criando falsas receitas que não traziam qualquer resultado na direção da cura, muito ao contrário. Como agora.
Em um real ato de bravura e patriotismo, o médico deslocou-se, em 1897, para a França, onde especializou-se em Paris, exatamente no Instituto Pasteur. Dois anos depois, resolveu enfrentar com seus conhecimentos o inferno que matava às centenas e também os ratos que se multiplicavam, atingindo com sua carga letal o povo brasileiro.
Ao contrário do acontece agora por aqui, a maioria dos que detinha o poder político na época aceitava a voz da ciência. Foi assim que Oswaldo Cruz, além de promover a vacinação dos moradores das áreas super infectadas, utilizou sua reconhecida capacidade científica para garantir o isolamento dos sintomáticos e a aplicação do soro agora fabricado no país.
Ao mesmo tempo, liderou uma imensa campanha experimental de desratização. Funcionava assim: os funcionários eram obrigados a apresentar pelo menos 150 ratos por mês, sob pena de serem demitidos. Os que ultrapassaram a cota, recebiam 300 réis por animal abatido. Diminuindo o transmissor, ia diminuindo a transmissão. Além disso, instituiu a compra, isto é, para cada rato morto apresentado, pagava-se 200 réis.
Então deu-se a melodia. Surgiu a valorosa profissão de “ratoeiro”, pessoas que corriam às ruas comprando os camundongos a baixo preço para revendê-los ao governo. Apareceu este grande negócio. O vil metal está em todas.
Foi então que alguns malandros começaram a criar ratos e até se deslocar a outras cidades para o negócio. Como era de se esperar, a “guerra aos ratos" virou motivo de deboche e anedotas, servindo de inspiração para inúmeras charges, caricaturas, crônicas e marchinhas populares. O alvo preferido era o salvador da pátria Oswaldo Cruz.
Das várias marchinhas compostas, muitas inclusive se perderam, destaca-se “Rato, rato, rato”.
“Rato, rato, rato'', assim gritavam os compradores ambulantes. "Rato, rato, rato, para vender na academia aos estudantes (...). Rato, rato, rato, só se vê aqui no Rio de Janeiro. Rato, rato, rato, quem os tiver já não passa sem dinheiro. Rato, rato, rato, é a nossa salvação. Pra esses malandrotes não passarem todo dia sem o pão (...). Tem vendedor que compra ratos (...). O belo tempo de glória dr. Oswaldo Cruz (...)”
Apesar disso, o Rio experimentou importante redução da doença mostrando ser assertiva a campanha: os números foram drasticamente reduzidos nos anos seguintes, tanto é que em 1909, quando o sanitarista deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), o índice de contaminação chegou a seu mais baixo patamar, até então, mostrando a vitória do médico.
O herói Oswaldo Cruz havia sido nomeado pelo próprio presidente na época, Rodrigues Alves, para o cargo no DGSP, com apoio do ministro da Justiça José Joaquim Seabra. Naquele tempo, o critério para nomeação na direção de Saúde Pública era insubstituivelmente a competência científica e o amor ao próximo. Longe do critério atual.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, odeia ratos.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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