Hei você aí, já tentou pegar uma borboleta voando, para contingenciá-la em um vasilhame transparente? Pensa, senhora, que é fácil capturar a voante criatura que é lenta e bela? Ledo engano. Não é fácil vencer as inteligentes e difíceis manobras imprevisíveis. Nos vulcões da Escócia – acabo de inventar isso – cidadãos de bermudas quadriculadas e suspensórios passam um domingo inteiro correndo atrás delas com aquelas cestinhas amarradas em um cabo de vassoura. Não sei o nome do negócio e falei cabo de vassoura por puro contingenciamento.
No atual digamos estado de coisas não é só o dinheiro devido à população. Contingenciaram o país com sua soberania, leis, igualdade, fraternidade e autoridade.
Um certo John Briggs elaborou uma teoria – “A Teoria do Caos”. Nela, o movimento de qualquer ação inevitavelmente tende a desorganizar-se e continuamente organizar-se de outra maneira produzindo o sistema que a conserva. O país está repleto de borboletas tronchas e sem asas que se deixam desorganizar, roubar, fazer leis pessoais sem saber sequer reorganizá-las. Uma borboleta contingenciada.
Não é de hoje que não se consegue entender o voo dos mandatários. Sem dar bola para o que não pode abrir mão, uma nação, resta aos proprietários do povo e fabricantes cúmplices de leis, repetir sem reorganizar, transformando os governos em um lamaçal sem inteligência ou ética. Longe de uma verdadeira borboleta, e seus voos exatos, agarram-se em outras vias aleatoriamente.
E não é de hoje, nem de ontem, nem de anteontem. O Brasil vem sendo contingenciado perniciosamente. Não compreendendo a trajetória do real voo da borboleta, ignoram e passam a voar alto sem radar, financiados por um povo impotente e com muitíssimos miseráveis jogados na sarjeta. Para isso, vamos recorrer ao contingenciamento que não tem nada a ver: intrometendo-se na Venezuela, por exemplo. A senhora aí me diga se o Brasil tem contingência para ajudar outro país?
Quando alguns, dentre os mandatários, conseguem uma modalidade parcial da reorganização é para pichar leis que não conseguem eficácia por erro de essência, por fazer parte isolada desde a invasão dos portugueses – contingenciada como Descobrimento – como é o caso do corte de verba na inteligência nacional, as universidades. Trocar corte por contingenciamento é, no fundo, o mesmo que se ensinou no Grupo Escolar contingenciando a verdade sobre a “façanha” portuguesa em 1500.
A inteligência estudantil está amarrada pelos slogans e falta de direção, portanto, contingenciadas também.