Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

Lembranças de um Brasil que não volta

A memória assim como a crase não foi feita para humilhar ninguém. O doutor Alzheimer também não quis humilhar ninguém, quis dar um help

Publicado em 11 de Novembro de 2025 às 02:30

Públicado em 

11 nov 2025 às 02:30
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

paulobonates@uol.com.br

É fácil dirigir uma república se for composta por amigos, geralmente estudantes. Todos os componentes escolhem a mais pura democracia e dão, geralmente, muita sorte. Isso sim é governo, onde todos os direitos e deveres são iguais e respeitados, como gêmeos siameses.
Quanto à nossa cidadania, igual nunca tinha visto ou tido notícia. A mesa de decisões - aliás, refeições também - era pura criatividade: dois cavaletes que sustentavam uma porta e toalha por cima. Era para ser provisório, o arranjo, mas permaneceu todo o curso de Medicina.
Afinal, uma república que se preze não é para hospedar, é para cadastrar amigos para todo o sempre.
Muitos anos depois, os amigos à lembrança ou ao encontro andando na rua são capazes de remetê-lo a uma história atualizada sobre eles. A memória é a maior maravilha do ser humano, por isso faz tanta falta. Ninguém precisa de tanta memória assim para viver. O suficiente é suficiente.
Sergio Souto é o meu compositor predileto. Acho que nasceu no Acre ( ou vocês acham que lá só dava borracha). A pérola de sua obra chama-se “Lembrando de Você”. Diz assim:
“Ah eu só queria ser um albatroz
Eu nem sabia o que era um albatroz
Eu só queria mesmo era beijar você…”
E por aí vai.
Procure essa música, leitor das quinzenas, vai achar.
Com tanta coisa complicada para lembrar, cantar e aprender, o povo quer mesmo saber onde colocou a tampa do vidro de maionese. Quer saber? Ninguém sabe.
A memória assim como a crase não foi feita para humilhar ninguém. O doutor Alzheimer também não quis humilhar ninguém, quis dar um help.
Aproveitando a ingênua, embora bacana COP da natureza, em Belém, lembro ao bravo povo brasileiro que essa já é a trigésima edição e rigorosamente a intenção declarada não sai do lugar. O dinheiro, o lucro, e outras milongas mais não arredam o pé facilmente.
Baixa, agora, a lembrança de Leonel. Um cara porreta. Governando o Rio de Janeiro centrou fogo na educação e preocupou-se com a urbanização das favelas. Aliás, a principal acusação contra ele era que gastava dinheiro demais com a educação.
O processo foi interrompido e nunca mais foi retomado.
E o Brasil continua sem esquerda, nem direita, revezando-se em cima e embaixo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, não consegue torcer pra ninguém, é um alienado consciente.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que guerra no Irã virou um teste de resistência - e de tempo
Novos radares na Rodovia José Sete, entre Alto Lage e o Terminal de Itacibá.
Pode ter radar sem placa de aviso? Veja o que diz a lei
Trio é indiciado por golpe com prejuízo de R$ 130 mil a idoso em Venda Nova do Imigrante
Trio é indiciado por golpe que causou prejuízo de R$ 130 mil a idoso em Venda Nova

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados