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Crítica

"A Bolha", da Netflix, fica entre o humor e o constrangimento

Uma grande brincadeira entre amigos, "A Bolha" mostra os bastidores de filmagens de um filme de ação realizado em isolamento durante a pandemia

Publicado em 01 de Abril de 2022 às 21:30

Públicado em 

01 abr 2022 às 21:30
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "A Bolha", da Netflix Crédito: Laura Redford/Netflix
É preciso entender que “A Bolha”, lançado pela Netflix, é uma grande brincadeira e não tem nenhum intuito de ser levado a sério. Sem grandes expectativas, o filme dirigido por Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”) é divertido, com ótimas piadas sobre a indústria de cinema e atores - é quase um “Trovão Tropical” pandêmico.
No filme, durante a pandemia, um grupo de atores se junta em um isolado hotel na Inglaterra para gravar o sexto filme da franquia “Feras do Abismo”, a 23ª franquia de ação mais bem-sucedida da história do cinema e uma espécie de “Jurassic Park” genérico com fórmula repetitiva, mas que ainda garante boa bilheteria e consegue um orçamento de US$ 100 milhões para as filmagens.
Obviamente, após tantos filmes, o elenco tem conflitos. Carol Cobb (Karen Gillian) não participou do quinto filme da franquia, o que causa um conflito com o resto dos colegas. Isolados, Dieter Bravo (Pedro Pascal), Lauren (Leslie Mann), Dustin (David Duchovny), Sean (keegan-Michael Key), Howie (Guz Khan) e a famosa tik-toker Krystal (Iris Apatow), uma adição à franquia que nem sabe exatamente o que faz ali, lidam com a direção do inexperiente Darren (Fred Armisen), cineasta premiado em Sundance com um filme feito no telefone, e, obviamente, com as restrições da Covid-19.
Filme
Filme "A Bolha", da Netflix Crédito: Laura Redford/Netflix
Durante algum tempo, “A Bolha” parece um texto de uma piada só, com situações se repetindo e com pouquíssimo desenvolvimento dos personagens. Logo fica claro, porém, que a ideia é que todos eles sejam realmente rasos - Apatow não deseja fazer um estudo de personagens, muito pelo contrário. A ideia do diretor é que a superficialidade de seus caricatos personagens funcionem como uma crítica à indústria.
O problema é que a piada inicial logo se esgota e o filme a repete durante todo o segundo ato, com uma ou outra variação. Nesse momento, “A Bolha” é melhor quando mostra a filmagem de “Feras do Abismo 6” abusando de tela verde e computação gráfica, praticamente regra em quase todo grande filme de aventura em Hollywood hoje. As situações da produção beiram o ridículo e divertem pelo absurdo - refilmagens, roteiro reescrito, atores dando chilique, tudo o que acontece com frequência na indústria vira motivo de piada.
É na virada para o terceiro ato, uma festa regrada a drogas, que “A Bolha” finalmente engrena e parece caminhar para um destino. É o momento no qual o filme se entende como parte da indústria que critica. Os envolvidos em “Feras do Abismo 6” acham que estão salvando o mundo dando ao povo o que eles precisam em um momento de pandemia. A impressão é de que a mensagem do filme é de que a indústria é podre, mas aquelas pessoas fazendo “A Bolha” são tão legais que se permitem zoar o universo de que fazem parte.
“A Bolha”, como dito na frase que abre este texto, é uma grande brincadeira e os atores parecem ter se divertido com ela. O elenco compra a zoação e empresta a seus personagens histórias sobre eles mesmos, tornando o filme um festival de metalinguagem, um mergulho no egoísmo e na vaidade que marcam a profissão e o mundo das celebridades.
Filme
Filme "A Bolha", da Netflix Crédito: Laura Redford/Netflix
O problema do filme de Judd Apatow é que é necessário um esforço para se gostar dele. O filme funciona melhor para quem tem conhecimento de produção de cinema, fazendo com que esse público se sinta parte da piada. Para o público médio, aquele que busca entretenimento e umas boas risadas com uma comédia, “A Bolha” oferece uma experiência pouco agradável, quase como assistir a uma piada interna entre amigos e ficar com a sensação de “o que estou fazendo aqui?”.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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