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Crítica

"A Fera": sucesso da Netflix é filme de ação descartável

Lançamento italiano na Netflix, o filme policial "A Fera" usa fórmula batida de "um homem contra o mundo" sem grandes inovações

Publicado em 28 de Novembro de 2020 às 23:32

Públicado em 

28 nov 2020 às 23:32
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "A Fera", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Os filmes de “um homem contra o mundo” sempre funcionaram bem, fossem eles motivados por vingança, com o clássico “Desejo de Matar” (1974), ou pelo resgate de entes queridos, como na recente franquia “Busca Implacável”. A fórmula, influenciada pelos faroestes no estilo “Matar ou Morrer” (1952) e “Bravura Indômita” (1962), costuma conquistar a atenção do público com o desespero do protagonista cujo caminho não será interrompido por nenhum obstáculo. Em comum aos filmes, bandidos que se envolvem com pessoas supostamente normais, mas que têm um treinamento especial ou um passado no exército - o italiano “A Fera”, que tem feito muito sucesso na Netflix, se encaixa nos dois casos.
Dirigido por Ludovico Di Martino, que também assina o roteiro ao lado de outros seis nomes, o filme conta a jornada de Leonida Riva (Fabrizio Gifuni, irreconhecível), um ex-soldado das forças transformou e o afastou de sua família. Seu filho mais velho nunca o perdoou, mas sua caçula, Teresa (Giada Gagliardi), ainda morre de amores por ele.
Quando a pequena some misteriosamente de uma lanchonete, Riva dá início a uma investigação paralela, sem depender da polícia, e na qual não precisa cumprir nenhuma regra; o que importa é a vida de sua filha.
“A Fera” não traz novidades narrativas, de roteiro ou de estilo. Exceção feita a uma sequência em específico, que ganha ares de adaptações de quadrinhos como a série “Preacher” ou de filmes como “John Wick”, o filme tem uma estética suja e escura. A ação também é pouco estilizada, seguindo a cartilha de filmes policiais/de ação sem grandes arroubos criativos.
Narrativamente, o filme até faz algumas escolhas interessantes no final do segundo ato, mas logo volta aos clichês do gênero. O roteiro não desenvolve bem nenhum personagem e ainda força uma suposta conexão de Riva com o desaparecimento da filha, fazendo dele um suspeito mesmo que isso não faça sentido algum. O texto ainda utiliza recursos como personagens que surgem apenas para movimentá-lo e, claro, a solução "ex-machina", ou seja, aquela que aparece do nada justamente quando o protagonista precisa.
Sem grandes novidades, “A Fera” funciona porque a fórmula funciona, mas não consegue alcançar a excelência dos filmes recentes estrelados por Liam Neeson, por exemplo. Isso ocorre não por culpa de Fabrizio Gifuni, mas pelo trabalho técnico que não confere urgência à jornada de Riva e credibilidade aos combates. As coreografias simples até se justificam uma vez que o protagonista é um soldado que usa força bruta, não um especialista em artes marciais, mas a montagem das cenas diminui o impacto e até mesmo a brutalidade delas.
Filme
Filme "A Fera", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Ainda assim, o filme tem elementos interessantes como a tentativa de transformar o protagonista em um sujeito comum - em alguns momentos até duvidamos da sanidade dele. O roteiro, quando resolve explorar o transtorno de estresse pós-traumático, é correto ao mostrar ao público o que causou tanto trauma em Riva. Em alguns momentos, o filme quase chega a lembrar o excelente “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” (2017), um dos filmes mais subestimados dos últimos anos.
“A Fera”, ao fim, é apenas razoável, um filme de gênero que pode até encontrar um público cativo. Com pouco mais de 90 minutos de duração, o filme de ação italiano funciona como um passatempo genérico, mas não vai além disso.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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