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Crítica

"A Mulher Rei" é ótimo épico de ação baseado em fatos históricos

Vendido como um filme "baseado em fatos", "A Mulher Rei" traz a história de guerreiras africanas que inspiraram as Dora Milaje de "Pantera Negra"

Publicado em 23 de Setembro de 2022 às 11:01

Públicado em 

23 set 2022 às 11:01
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Crédito:
Ao final do século 19, cerca de 4.000 mulheres eram parte do exército de Daomé, região da África hoje conhecida como Benin. Muitas delas haviam sido treinadas desde a adolescência e, durante tempos de guerra, eram a última linha de defesa entre os inimigos e o rei, estando dispostas ao sacrifício para defender o reino e seu regente. As Agojie foram inspiração óbvia para a criação das Dora Milaje em 1998, quando Christopher Priest assumiu o comando das publicações de “Pantera Negra”, quase duas décadas antes de entrarem de vez no imaginário da cultura pop com o filme do personagem.
Talvez tenha sido justamente essa popularidade das Dora Milaje que tenha possibilitado “A Mulher Rei”, que chega aos cinemas do Brasil nesta semana. Dirigido por Gina Prince-Bythewood (“Old Guard”) e protagonizado por Viola Davis, o filme traz um recorte histórico de Daomé com foco nas Agojie. Apesar de usar a marca de “baseado em fatos”, “A Mulher Rei” toma diversas liberdades com figuras e acontecimentos, sendo melhor consumido como uma aventura épica com referências a fatos históricos.
Ambientado em 1823, o filme tem início com uma explicação acerca das estruturas do reino de Daomé e do Império de Oió. A diferença entre ambos é clara na valorização da mulher - em Daomé, uma guerreira pode ser tão laureada ao ponto de receber o título de Mulher Rei e ter paridade com o rei. O roteiro, no entanto, nunca se aprofunda nas camadas sociais, voltando o foco para as personagens e, claro, para a ação.
Logo conhecemos Nanisca (Davis) a general do exército de Daomé e a responsável por transformar mulheres em guerreiras. Mesmo com a inesperada relevância das mulheres no reino, as práticas patriarcais ainda são fortes. Quando encontramos Nawi (Thuso Mbedu), seu pai a está dando ao Rei Ghezo (John Boyega) após ela reagir a uma violência do marido a quem havia sido cedida pela família. Nawi, então, ingressa no duro treinamento das Agojie, onde encontra finalmente uma mentora, Izogie (Lashana Lynch) e algo que se aproxima de uma família.
Filme
Filme "A Mulher Rei" Crédito: Sony/Divulgação
Adentrar o treinamento e o exército através dos olhares de uma novata é um bom recurso encontrado pelo roteiro para se afastar do didatismo. Ao lado de Nawi, vamos conhecendo toda a estrutura e superando os exigentes treinamentos de forma que, quando somos levados a acompanhá-las em combate, já temos plena ciência do que elas são capazes.
“A Mulher Rei” inicialmente mostra Daomé e Oió como coniventes com o tráfico escravo - ambos os reinos lutavam entre si e vendiam seus prisioneiros aos traficantes europeus de escravos. Simplificando a História, o filme de Gina Prince-Bythewood confere a Nanisca a ideia de tentar encerrar o ciclo com a ideia de vender o excedente da produção de azeite ao invés de escravos para gerar riquezas ao reino.
Filme
Filme "A Mulher Rei" Crédito: Sony/Divulgação
Gina Prince-Bythewood mostra saber filmar ação como poucos na indústria atualmente. Enquanto “Old Guard” ainda tinha um estilo próximo ao dos filmes de heróis, “A Mulher Rei” tem uma ação mais crua, algo que condiz com a pegada do filme, dando peso a cada golpe e um senso crescente de violência mesmo sem ser tão gráfico. As coreografias são ótimas, muito mais próximas da realidade e no que vemos nos treinamentos das guerreiras, em suas habilidades.
Em contrapartida, “A Mulher Rei” perde tempo com algumas subtramas de romance, gravidez e intrigas políticas que aproximam o filme do melodrama e consomem tempo que poderia ser utilizado em desenvolvimento. O texto abusa do maniqueísmo na construção dos Óio e dos Daomé de forma rasa, um resultado da falta de tempo gasta com arcos desnecessários.
Filme
Filme "A Mulher Rei" Crédito: Sony/Divulgação
“A Mulher Rei” ganha ainda mais força com a atuação de Viola Davis. A atriz, já conhecida por papéis dramáticos, se sai bem quando precisa ser mais física, com uma intensidade absurda, mas também consegue mostrar fragilidade quando o roteiro pede. Também vale destacar Sheila Atim, como a segunda em comando da Agojie, e as já citadas Thuso Mbedu e Lashana Lynch.
Ao fim, “A Mulher Rei” funciona mesmo quando suas escolhas o direcionam para outro lado. Sem se preocupar com a precisão dos fatos, Gina Prince-Bythewood entrega um épico de ação eficiente, capaz de empolgar a plateia com um filme forte, com protagonismo de mulheres negras em um gênero em que raramente se veem tão representadas.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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