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Crítica

"A Princesa da Yakuza", da Netflix, tem boa ação e péssimo roteiro

Lançado pela Netflix, "A Princesa da Yakuza" adapta para as telas a graphic novel "Samurai Shirô", de Danilo Beyruth, uma história sobre a Yakuza no bairro da Liberdade em São Paulo

Publicado em 25 de Abril de 2022 às 18:40

Públicado em 

25 abr 2022 às 18:40
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "A Princesa da Yakuza", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Lançada em 2018, a graphic novel “Samurai Shirô”, de Danilo Beyruth, foi aclamada. A história do quadrinista traz referências gráficas do cinema de samurai de Akira Kurosawa e muita influência dos filmes de máfia de Takeshi Kitano, principalmente da trilogia “Outrage” e “Brother” (2000). Esteticamente impecável, mas com graves problemas de roteiro, a HQ foi a vencedora do HQMix de 2018 e logo teve seus direitos vendidos para o cinema. “A Princesa da Yakuza”, lançado pela Netflix, adapta o livro de Beyruth com suas qualidades e seus defeitos.
Dirigido por Vicente Amorim (“Motorrad”), corresponsável pelo roteiro ao lado de Fernando Toste, Kimi Lee e Tubaldini Shelling, “A Princesa da Yakuza” é a história de Akemi (MASUMI, assim mesmo, em caixa alta), uma jovem japonesa órfã vivendo no bairro da Liberdade, a maior comunidade japonesa do mundo. Um dia, após algumas confusões, seu caminho se cruza ao de um estranho que acredita que uma lendária katana une o destino deles (Jonathan Rhys Meyers). Juntos, eles partem em busca do significado daquela espada e da verdade que todos parecem esconder de Akemi.
“A Princesa da Yakuza”, tal qual a HQ de Danilo Beyruth, é esteticamente lindíssimo, com o diretor de fotografia Gustavo Hadba aproveitando bem cada quadro e explorando a máximo as luzes dos coloridos neons da Liberdade. Mesmo se distanciando da estética do material original, o filme constrói um cenário de decadência que dialóga com o texto, um recurso que transforma o bairro em uma espécie de personagem para a trama.
Em contrapartida, tudo em “A Princesa da Yakuza” parece artificial, uma visão estrangeira para a cultura japonesa, como de fato é. Assim, todos os clichês e estereótipos possíveis sobre a cultura japonesa invadem a tela já nos minutos iniciais - karaokes, katanas, honra samurai, as tatuagens e as referências à Yakuza, velhos e sábios ditados.
Filme
Filme "A Princesa da Yakuza", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Há também alguns detalhes que chamam a nossa atenção, como praticamente todos os personagens do filme terem o inglês como primeiro idioma. É fácil entender a opção pelo inglês, mas talvez fosse então mais simples ignorar o português de vez, ao invés de apenas colocá-lo sendo falado ao fundo, por coadjuvantes e figurantes. Até personagens japoneses acabam falando inglês entre si a maior parte do tempo. Como disse, um detalhe, mas que se soma aos outros e acaba prejudicando o filme de Vicente Amorim.
Além da bela fotografia, “A Princesa de Yakuza” também se destaca com boas cenas de ação, principalmente quando MASUMI está em cena com a espada em mãos. O filme abusa de membros decepados e barrigas sendo abertas em combate. Outros personagens, como o vivido por Rhys Meyers, também se saem bem nos momentos mais agitados, mesmo que não brilhem como a protagonista.
Filme
Filme "A Princesa da Yakuza", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O grande problema do filme é o roteiro superficial sustentado pelo conhecimento básico de quem já viu alguma sobre a Yakuza. O texto não tem preocupação alguma em desenvolver os personagens ou fazer com que nos importemos com eles. Akemi é quem tem um pingo de desenvolvimento, mas todo ele praticamente se dá por diálogos expositivos e nada naturais.
Ainda, toda a construção do misterioso personagem de Rhys Meyer é intencionalmente vaga para apresentá-lo como um ronin, um desmemoriado samurai que não segue nenhum mestre, mas falta profundidade às relações construídas por ele para que compremos sem estranhar as viradas do terceiro ato. Da maneira como o filme as trata, é possível prever com muita antecedência o que vai acontecer em cada cena.
“A Princesa da Yakuza” não é um filme ruim, podendo perfeitamente ser entendido como uma obra pulp, de rápido consumo e sem grandes pretensões, mas o filme de Vicente Amorim se leva a sério demais, nunca se permitindo um respiro ou um alívio, e carrega todos os problemas do material que adapta.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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