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Crítica

"À Tona", da Netflix, surpreende com espionagem e boa ação

"À Tona" acompanha uma ex-espiã russa se tornando um ativo da CIA para investigar violentos crimes em Madrí

Publicado em 01 de Fevereiro de 2022 às 00:49

Públicado em 

01 fev 2022 às 00:49
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "À Tona", da Netflix Crédito: ENRIQUE BARÓ UBACH/NETFLIX
“À Tona”, série de espionagem lançada pela Netflix, reafirma uma máxima que deve sempre  ser levada a sério para os produtores de conteúdos seriados: nunca subestime o poder de uma reviravolta inesperada na trama.
Uma produção multinacional, com dois diretores espanhóis (Daniel Caparsoso e Paco Cabezas), uma inglesa (Ami Canaan Mann) e uma dinamarquesa (Birgitte Stærmose), “À Tona” inicialmente parece ser um drama de espionagem como tantos outros. A série não tem o brilhantismo de “The Americans” ou a complexidade de “Homeland”, oferecendo uma experiência mais próxima do início de “Alias”, por exemplo, uma série super didática e preocupada com algumas cenas de ação.
A série utiliza o recurso do choque inicial para prender a atenção dos espectadores, com uma série de assassinatos e atentados sem conexão e aparentemente sem sentido nenhum em Madrid. Logo depois a narrativa desacelera quando somos apresentados a Jenny (Margarita Levieva), que viajou à capital espanhola para acompanhar a filha, Becca (Lydia Fleming), em uma competição de patinação artística.
Quando resolve dar uma volta pela cidade, porém, Jenny é sequestrada e interrogada por um grupo misterioso sobre ser ou não uma ex-espiã russa, o que ela nega. Não demora, porém, para ela precisar distribuir uns sopapos e entregar seus talentos a Chauncey (Cillian O’Sullivan), um agente da CIA em busca de auxílio para investigar os assassinatos ocorridos de maneira bem similar ao antigo modus operandi de Jenny, antigamente conhecida como “O Sussurro”.
Série
Série "À Tona", da Netflix Crédito: ENRIQUE BARÓ UBACH/NETFLIX
“À Tona” segue sem grande brilho, com algumas boas cenas de ação e um drama genérico - Becca critica a mãe por ser muito certinha e pouco aventureira, mas não tem ideia do segredo que ela guarda. A primeiro episódio também é bem formulaico até que, em seus últimos instantes, algo acontece: Jenny tem superpoderes. É claro que o episódio acaba no momento da revelação e a curiosidade para o próximo é inevitável. É impossível resistir.
É interessante como a série mistura uma linguagem antes vista na TV aberta, com dramas mais superficiais e texto expositivo explicando tudo o que acabamos de ver, a uma narrativa estendida mais próxima de séries de canais fechados nos EUA (Showtime, HBO, AMC) ou de plataformas de streaming, com arcos que não se encerram em apenas um episódio.
Série
Margarita Levieva em "À Tona" Crédito: SAMANTHA LÓPEZ/NETFLIX
As necessidades de explicar tudo e de criar profundidade à força para Jenny são os pontos fracos de “À Tona”. O texto volta à década de 1990, quando a protagonista era uma jovem na Rússia fazendo jus ao apelido que conquistou com o tempo, mas nunca consegue tornar esse arco interessante; pelo contrário, apenas queremos que a série retorne logo para o presente, onde é muito melhor.
Mesmo sem ser incrível, “À Tona” é boa no que se propõe a ser, uma mistura de espionagem e ficção científica cheia de reviravoltas e ótimos ganchos ao final de cada episódio. Não há conceitos elaborados demais ou de difícil compreensão; tudo é explicado de maneira simples (“é assim porque aconteceu isso”) o que torna o consumo da série fácil. Com drama básico e previsível, “À Tona” se destaca mesmo nas surpreendentes coreografias de luta nas quais Margarita Levita se sai muito bem - é quase como se elas fossem o real motivo da existência da série, o que já faz valer o tempo gasto.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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