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Crítica

"Amor e Anarquia", da Netflix, é comédia romântica descartável

Série sueca da Netflix, "Amor e Anarquia" tem bons atores e cria boas situações, mas é sempre comportada, nunca decola ou faz jus ao título

Publicado em 10 de Novembro de 2020 às 22:20

Públicado em 

10 nov 2020 às 22:20
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série sueca
Série sueca "Amor e Anarquia", da Netflix Crédito: Ulrika Malm
O grande problema de “Amor & Anarquia”, série sueca da Netflix, está em seu título. Há muito pouco de anarquia em seus oito episódios e apenas uma dose mínima de amor. Isso significa que a série seja ruim? Não, mas ela tampouco entrega o que promete em seu nome.
A série criada, roteirizada e dirigida por Lisa Langseth inicialmente acompanha Sofie (Ida Engvoll, do ótimo “Um Homem Chamado Ove”), uma mulher 30 e tantos anos, em seus primeiros dias no novo emprego, em uma renomada editora de livros. Ela logo conhece Max (Björn Mosten), o jovem responsável pela informática, mas é claro que eles a princípio não se dão bem. Após um acontecimento (sem spoilers por aqui), eles dão início a um jogo de desafios, alguns simples, outros, bem complexos, e a relação entre eles avança primeiro para uma divertida amizade, mas todos sabemos aonde isso vai chegar...
O problema é que Sofie é casada, tem filhos e um pai com problemas mentais, ou seja, sua vida é bem mais complicada que a de Max. A aventura apresenta uma bem-vinda fuga da rotina para a personagem, mas será que é algo mais? O que seu parceiro de jornada espera dela?
“Amor e Anarquia” cria boas situações, principalmente durante os desafios, que quase sempre despertam aquele sentimento de vergonha alheia à la “The Office” ou “Parks and Recreation”, mas falha em quase todo o resto. A ambientação em uma editora levanta questionamentos e possibilidades interessantes, como a sobrevivência do mercado de livros, a arrogância cultural de editores e a falta de compreensão da velha guarda perante a nova geração de autores, mas tudo isso é desperdiçado pelo roteiro após uma ou outra questão abordada de maneira superficial.
O que resta, assim, é acompanhar Sofie e Max, e nem sempre isso é prazeroso. Ida Engvoll é boa atriz e tem alguns momentos de destaque; Sofie está o tempo todo sem saber ao certo como agir ou o que fazer tanto em relação a seus relacionamentos quanto em relação à editora. Já Max é uma figura apática que deposita todas as esperanças na relação com Sofie.
Série sueca
Série sueca "Amor e Anarquia", da Netflix Crédito: Ulrika Malm
O problema, de ambos, é que eles são pouco interessantes e nunca nos importamos tanto com eles ou o relacionamento que parece não ir a lugar nenhum. Sofie ainda tem um pouco de desenvolvimento com o núcleo familiar - seu marido é meio mala, mas a situação com o pai acaba sendo a carga dramática da série. Max, por sua vez, até ganha uma subtrama familiar, mas ela não se desenvolve, apenas mostrando um comportamento imaturo do coprotagonista, um jovem que culpa os pais por quase tudo.
Resumindo: tudo em “Amor e Anarquia” é muito controlado e pouco anárquico. O título é explicado em determinado momento, mas já é tarde - o público clicou para ver algo diferente e neste ponto provavelmente já se decepcionou com a história. É possível, claro, ter conclusões diferentes sobre o título, com a anarquia da vida pessoal de Sofie ou da editora e o amor de Max por ela, mas não parece ser a intenção da série, que opta por não se aprofundar nessas tramas. Assim, quando os pontos de conflitos finalmente aparecem, o texto parece não saber ao certo com que importância tratá-los.
Série sueca
Série sueca "Amor e Anarquia", da Netflix Crédito: Ulrika Malm
Aos interessados, a série sueca tem alguns momentos mais picantes e uma ou outra subversão que talvez não estivesse ali em uma produção americana ou britânica, mas “Amor e Anarquia” poderia perfeitamente ser situada em qualquer lugar do mundo, é uma série com o selo Netflix de universalidade. Deve ser evitada? Não necessariamente, ela pode ser uma boa para quem estiver atrás de uma diversão breve, algo a ser esquecido, uma escapada rápida de um relacionamento sério com uma trama mais complexa ou pesada.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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