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Crítica

"Black Knight": Série de ação coreana da Netflix não convence

Ambientada em um mundo distópico, no qual 99% da população da Terra sucumbiu a um desastre, "Black Knight" tem ação satisfatória, mas é só

Publicado em 14 de Maio de 2023 às 01:32

Públicado em 

14 mai 2023 às 01:32
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série coreana
Série coreana "Black Knight", da Netflix Crédito: Kim Jin-young/Netflix
Em teoria, após três anos de pandemia, seria bem fácil para o público se relacionar com “Black Knight”, série coreana lançada pela Netflix. No universo da série, um cometa colidiu com a Terra e deixou quase todos os países submersos e matou 99% da população mundial. Quarenta anos depois, a península da Coreia se tornou um deserto e os sobreviventes precisaram se reorganizar. O ar estava tóxico e um núcleo de ar foi construído para abranger os mais abastados, divididos em população geral, especial e central.
Para haver recursos para essas classes, porém, uma outra teve que ser ignorada: os refugiados ficaram de fora, vivendo como miseráveis, usando máscaras contra a toxicidade do ar e, obviamente, sendo levados à marginalidade contra os “escolhidos”. Nesse universo, os entregadores são figuras heroicas que cruzam os desertos e enfrentam os perigos para levar oxigênio e outros itens para os distritos centrais.
É até fácil identificar o texto, baseado no webtoon “Delivery Knight”, de Lee Yoon-gyun, como uma alegoria ao mundo pandêmico, mas “Black Knight” escolhe caminhos nem sempre tão fáceis. O tal “cavaleiro negro” que dá título à série é o entregador 5-8 (Kimm Woo-bin), uma figura lendária no novo mundo por sua força e coragem, mas não é ele o coração da série, mas sim o jovem Sa-wol (Kang You-Seok), um jovem refugiado. Quando o encontramos, ele está prestes a tentar saquear o caminhão de entregas de 5-8, mas logo somos levados a um cenário mais pessoal, com suas irmãs de criação e seus amigos refugiados.
O sonho de Sa-wol, e de todo jovem refugiado, é se tornar um entregador – é a única chance de ascensão social no universo da série. É nesse arco que “Black Knight” se torna mais interessante, principalmente durante o tempo que mostra o treinamento de Sa-wol e o concurso para que ele realize seu sonho. Há bons momentos, como as competições entre candidatos e a luta final, mas é tudo muito breve.
Série coreana
Série coreana "Black Knight", da Netflix Crédito: Kim Jin-young/Netflix
“Black Knight” parece ter muitas ideias, mas pouco tempo para colocá-las em prática. Com seis episódios de mais ou menos 40 minutos, a série coreana da Netflix constrói um mundo pós-apocalíptico, dois personagens centrais (5-8 e Sa-wol), e uma grande conspiração liderada por uma mega empresa e seus executivos. Lucrando com a venda de oxigênio puro e com o poder gerado pela hierarquia social, eles não têm vontade alguma de melhorarem o mundo ou de dar uma vida digna aos refugiados; é a máxima neoliberal de destruir para lucrar com a reconstrução.
A série tem algumas boas cenas de ação, mas é tudo muito genérico. O texto apresenta personagens para tentar oferecer camadas à trama, mas eles nunca são minimamente desenvolvidos para que o público se importe com o destino deles. Da mesma forma, quase todos os conflitos são resolvidos logo após serem apresentados, não oferecendo ao espectador uma tensão, uma construção para o clímax daquela situação.
Série coreana
Série coreana "Black Knight", da Netflix Crédito: Kim Jin-young/Netflix
Ainda assim, “Black Knight” faz algumas escolhas até corajosas em determinadas viradas, mas surpreende como a direção parece não ter noção do peso dessas escolhas. Há, por exemplo, uma sequência de um ataque à bomba contra refugiados e até a morte de um personagem “importante”, mas ambas são tratadas apenas como pontos de viradas para levar os protagonistas e a trama a outros lugares.
“Black Knight” traz boas discussões e tem como mérito a criação de um universo realmente desolador. As cenas no que seria uma Seul coberta por areia, totalmente desértica, merecem destaque, mas essa característica é mal explorada pelo texto, que precisa se ocupar com as inúmeras tramas nem sempre interessantes.
É curioso como “Black Knight”, durante quase a totalidade de seus seis episódios, parece um prólogo, uma construção para uma narrativa maior de guerra de classes, mas essa impressão se esvai nos últimos 30 minutos da temporada, que resolve tudo com velocidade assustadora.
Série coreana
Série coreana "Black Knight", da Netflix Crédito: Kim Jin-young/Netflix
Ao fim, a temporada apresenta razoavelmente bem aquele universo e alguns personagens até interessantes, mas parece perdida quanto o rumo que planeja tomar. Falta desenvolvimento de personagens para que o público tema por eles na sequência de ação, e não apenas imagine como ele sairá daquela enrascada. Como uma minissérie, “Black Knight” não é boa, mas, caso a série tenha uma segunda temporada, e há margem para isso, será interessante ver o rumo que ela pode tomar, construindo uma nova ameaça e lidando com os acontecimentos dos episódios já lançados.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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