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Crítica

"Caranguejo Negro", da Netflix, é bom, mas poderia ser ótimo

Com bons momentos, "Caranguejo Negro" acompanha uma missão suicida em uma guerra na qual não conhecemos os envolvidos ou as motivações

Publicado em 19 de Março de 2022 às 01:33

Públicado em 

19 mar 2022 às 01:33
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Caranguejo Negro", da Netflix Crédito: Johan Bergmark / Netflix
Uma das características dos filmes de guerra é colocar o espectador em um dos lados do conflito, normalmente o visto como heroico. Assim, acompanhamos há décadas histórias das duas grandes guerras mundiais, da Guerra do Vietnã e de diversos outros conflitos de maiores ou menores proporções. Por isso, é muito interessante a maneira como “Caranguejo Negro”, lançado nesta sexta (18) pela Netflix, funciona - o filme sueco não apresenta o conflito ou suas motivações, apenas coloca o espectador a missão que dá título à obra.
Em cerca de 15 minutos todo cenário está armado. Conhecemos Caroline Edh (Noomi Rapace) e sua filha dentro de um carro quando tiros ecoam, civis correm em desespero e homens armados surgem de repente. O filme logo dá um salto e encontramos a protagonista em um futuro próximo, carregando um fuzil e sendo conduzida para uma base aonde chega depois de um embate inexplicado no meio do caminho. Ao lado de outros cinco recrutas, Caroline é a última esperança para uma guerra dada como perdida. Com um patins de gelo, ela terá que percorrer centenas de quilômetros durante a noite sobre o oceano congelado para levar um artefato a uma base isolada.
“Caranguejo Negro” simplesmente joga o espectador em meio ao conflito sem apresentar os envolvidos e suas motivações. O filme dirigido por Adam Berg a partir do livro de Jerker Virdborg não se importa com essa resposta, como se não houvesse um lado a ser escolhido - é uma guerra, pessoas estão morrendo e se matando sem saber ao certo o motivo que levou seus líderes e iniciarem o conflito.
Essa escolha funciona para a mensagem que o filme quer passar, mas deixa tudo muito vago até o momento em que a intenção fica clara, o que acaba afastando o espectador da história até o início do terceiro ato. Existe a impressão de uma guerra vazia - filmes de guerra custam bastante dinheiro - e o nunca assistimos ao conflito em si, apenas a um recorte dele, uma operação secreta que passa por trás das linhas inimigas.
Crédito:
Em tela durante praticamente o filme todo, Noomi Rapace está ótima. Nos momentos mais calmos, Adam Berg acompanha a atriz com sua câmera quase como em um balé sobre o gelo; em contrapartida, quando o filme pede intensidade, a atriz transforma tudo em caos com certa naturalidade. A narrativa alterna a missão com alguns breves momentos de Caroline ao lado da filha, o que reforça as motivações da protagonista mesmo que o recurso seja realizado de maneira pouco eficaz.
Ironicamente, pois foge de algumas fórmulas da construção de filmes de guerra, “Caranguejo Negro” é previsível e recheado de clichês do gênero. Desde o início, é fácil prever alguns acontecimentos: o gelo quebra quando convém, vai haver brigas na equipe e o personagem que tiver um traço de desenvolvimento vai morrer. Quando cria um momento de tensão, lá pelo meio do filme, o texto resolve tudo rapidamente e ainda abusa das coincidências para tentar levar o espectador para aquele momento. O filme ainda desperdiça algumas boas premissas para se encontrar em discursos batidos como “é necessário destruir tudo para começar de novo”. Não funciona.
Filme
Filme "Caranguejo Negro", da Netflix Crédito: Johan Bergmark / Netflix
“Caranguejo Negro” tem boa premissa e uma ótima protagonista em uma atuação intensa. A opção por ser praticamente uma distopia, no entanto, afasta o espectador, pois nunca entendemos ao certo quem estamos acompanhando e quem são as partes naquela guerra, uma escolha que cobra seu preço ao diminuir a importância das decisões dos personagens e dos rumos daquele conflito.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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