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Crítica

"Code 8: Renegados", da Netflix, cria bom universo de heróis

Realizado com recursos de um financiamento coletivo, "Code 8: Renegados" mostra como vivem cidadãos superpoderosos em uma sociedade que os coloca à margem de tudo

Publicado em 13 de Abril de 2020 às 22:02

Públicado em 

13 abr 2020 às 22:02
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Code 8: Renegados", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
"Code 8: Renegados" tem uma história curiosa. O filme lançado pela Netflix no último sábado (11) foi realizado com recursos de um financiamento coletivo - o projeto arrecadou cerca de US$ 2,4 milhões em uma campanha apoiada pelo bom curta de mesmo nome que viralizou estrelado por Robbie Amell (o Nuclear de "Flash"). Stephen Amell (“Arrow”), primo mais famoso de Robbie, também esteve envolvido no projeto desde o início.
No mundo de "Code 8", criado por Chris Pare e pelo diretor Jeff Chan, 4% da população desenvolveu habilidades especiais. Inicialmente celebrados, os poderosos logo acabaram renegados por uma sociedade que não os compreende e, pior, os teme. Todos os que detêm poderes são registrados de acordo com sua classe (forte, elétrico, curador, etc.) e categoria (de um a cinco) e monitorados com frequência por drones que sobrevoam toda a cidade. Desprezados, acabam relegados à marginalidade e a trabalhos ilegais.
Neste cenário conhecemos Connor (Robbie Amell), um jovem que cresceu escondendo seus dons para tentar ter uma vida normal. Sem conseguir emprego, com a mãe doente (Kari Matchett) e cheio de contas médicas para pagar, ele faz bicos ilegais na construção civil. Um dia seu caminho se cruza com o de Garrett (Stephen Amell), um poderoso com negócios com um grande traficante de drogas produzidas com extrato do líquido cefalorraquidiano dos empoderados. Relutante, Connor se vê à margem da lei e se questiona até onde irá para salvar sua mãe?

Construção de mundo

A premissa, apesar de interessante, não traz nenhuma novidade. A essência é retirada dos quadrinhos de “X-Men”, mas há também muita influência de obras como “Poder Sem Limites” (2012), de Josh Trank, “Distrito 9” (2009), de Neil Blomkamp, e da série “Powers”, principalmente na criação do submundo.
Filme
Filme "Code 8: Renegados", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Do trabalho de Blomkamp, “Code 8” pega emprestado a estética orgânica dos elementos extraordinários. Os drones e robôs policiais do filme se encaixam com perfeição ao ambiente, jamais parecendo computação gráfica. Já de “Poder Sem Limites”, “Code 8” emula a utilização dos poderes, sempre de forma simples e natural, com efeitos básicos e funcionais. Tudo isso, claro, para não extrapolar o custo do filme e para aproximá-lo da realidade. As escolhas funcionam bem.
O problema do filme reside no roteiro, pois conhecemos pouco ou quase nada dos personagens e, assim, não nos importamos com eles. Tirando a questão de Connor com a mãe, não há desenvolvimento de ninguém. O filme tenta humanizá-los em alguns pontos, mas fracassa quase sempre ao apostar nos mais simples clichês ao invés de aproveitar as possibilidades que sua premissa cria.
Filme
Filme "Code 8: Renegados", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Isso, porém, não faz de “Code 8” um filme ruim. A obra funciona muito bem para fãs de quadrinhos e videogames, com alguns paralelos até com a série de jogos “InFamous”. O filme oferece uma ótima construção de mundo, além de boas e criativas sequências de ação. Falta, porém, algo que o torne especial. Há, por exemplo, uma abordagem sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos, assunto muito discutido nos últimos anos; há, também, uma quase reviravolta interessante, mas que não se concretiza no terceiro ato.
“Code 8” é divertido, com alguns bons elementos de filmes de assalto, e não desperdiça o tempo do espectador, pelo contrário: a vontade é de que o filme fosse mais longo para que pudéssemos mergulhar mais naquele universo, conhecer os personagens apresentados e até outras histórias. O final, apesar de não ser totalmente satisfatório, serve como preparação para uma série já em produção e que inicialmente será exibida no serviço de streaming Quibi.

Confira o curta "Code 8":

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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