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Crítica

"Coffee & Kareem" é comédia policial surtada na Netflix

Lançada pela Netflix, "Coffee & Kareem" traz um policial às voltas com uma grande conspiração enquanto tem que lidar com o desbocado filho de 12 anos de sua namorada

Publicado em 11 de Abril de 2020 às 06:00

Públicado em 

11 abr 2020 às 06:00
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Coffee & Kareem" Crédito: Justina Mintz
O humor foi, por muito tempo, terra de ninguém. Em nome da risada de alguns, era aceitável fazer graça com outros, de preferência minorias raciais, de gênero, sociais, religiosas, etc. A única regra era: não é o padrão, vira piada.
Os tempos, felizmente, são outros; o mundo mudou e, com ele, o humor. Por mais que muitos comediantes e humoristas ainda não tenham entendido muito bem como fazer graça sem humilhar ninguém, há os que tentam. Na Netflix, por exemplo, séries como a excelente “Sex Education” mostram o caminho subvertendo as regras até então estabelecidas - o popular da escola é um negro filho de um casal de mulheres, há personagens gays não como alívios cômicos, mas como ponto de convergência, a sexualidade não é tratada como tabu ou algo sujo, e por aí vai.
É bem verdade que “Sex Education” é um programa menos focado no humor escrachado, mas “Brooklyn Nine-Nine”, um programa totalmente entregue ao absurdo, faz algo similar com discursos que se transformaram no decorrer da série. Mudanças, novos tempos.
Em “Coffee & Kareem”, filme lançado pela Netflix, o humor caminha no limite do bom gosto, algo muito similar à série “Polícia Médica”, também do serviço de streaming. O filme dirigido por Michael Dowse (“Stuber: A Corrida Maluca”) é uma comédia policial com boas intenções, mas que esbarra em exageros.
O roteiro conta a história de James Coffee (Ed Helms), um policial meio trapalhão que se envolve com Vanessa (Taraji P. Henson), mas não sabe muito bem como lidar com Kareem (Terrence Little Gardenhigh), filho de 12 anos da namorada. O adolescente desbocado faz um plano para assustar o namorado da mãe e acaba envolvendo todo mundo com criminosos, tráfico de drogas, assassinatos e perseguições.
Filme
Filme "Coffee & Kareem" Crédito: Justina Mintz
A trama abusa dos clichês de filmes policiais - o policial corrupto, o honesto que só se dá mal etc. - para criar um pano de fundo para um humor totalmente escrachado. Kareem é inicialmente insuportável, uma metralhadora de ofensas voltadas a Coffee. O policial, por sua vez, se sente culpado ao pensar em ofender o jovem; Kareem, afinal, é negro e obeso.
“Coffee & Kareem” vem sendo massacrado pela crítica, mas fica difícil entender exatamente o que os críticos esperavam encontrar. O filme é divertido, descompromissado, e com momentos até bem espertos. A química entre os protagonistas é ótima e algumas piadas chegam a ser inteligentes. Além disso, Taraji P. Henson consegue brilhar sozinha quando precisa, principalmente em uma sequência em que o roteiro mais uma vez subverte o clichê da mocinha em perigo.
Com pouco mais de 80 minutos de duração, “Coffee & Kareem” é diversão leve e bem produzida. O filme se sai bem como comédia e não faz feio nas sequências policiais. É uma comédia absurda que faz graça da necessidade de ser politicamente correta, mas consegue fazer humor sem ofender. Entretenimento puro e simples com uma pegada oitentista, mas que tem plena ciência do que pode ou não fazer.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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