Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crítica

"Desaparecido Para Sempre": suspense da Netflix é decepcionante

Quinta série da Netflix a adaptar uma obra de Harlan Coben para as telas, "Desaparecido Para Sempre" aposta em viradas nem sempre eficazes

Publicado em 16 de Agosto de 2021 às 20:18

Públicado em 

16 ago 2021 às 20:18
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Desaparecido Para Sempre", da Netflix Crédito: Magali Bragard/Netflix
O fenômeno literário Harlan Coben parece estar dando frutos para a Netflix. O milionário acordo para a adaptação de 14 livros do autor americano na plataforma de streaming acaba de ganhar em “Desaparecido Para Sempre” o seu quinto produto em menos de dois anos. Antes, já haviam sido produzidas as boas “Não Fale com Estranhos” (Inglaterra) e “O Inocente” (Espanha), além das razoáveis “Safe” (Inglaterra) e “Silêncio na Floresta” (Polônia).
Produção francesa, “Desaparecido Para Sempre” adapta o livro homônimo originalmente lançado em 2002 (chegou ao Brasil em 2010) para o formato de uma minissérie em cinco episódios. A adaptação, vale ressaltar, é bem livre e as mudanças vão além da ambientação que deixa os EUA e passeia entre França, Itália e Espanha.
Na trama da série, Guillaume (Finnegan Oldfield) viu sua ex-namorada, Sonia (Garance Marillier), e seu irmão, Fred (Nicolas Duvauchelle), morrerem no mesmo dia em um crime nunca solucionado. Dez anos depois, é a vez de a atual namorada de Guillaume, Judith (Nailia Harzoune), desaparecer sem deixar pista alguma. Sem entender ao certo o que está acontecendo, o jovem se junta ao amigo Daco (Guillaume Gouix) para solucionar o desaparecimento de Judith.
Mesmo com diversas diferenças em relação ao livro, “Desaparecido Para Sempre”, a série, é um texto de Harlan Coben, ou seja, todas as marcas do autor estão presentes - histórias mal contadas, mortes mal explicadas, telefonemas misteriosos, figuras meio sinistras aparecendo em segundo plano, e por aí vai.
Série
Série "Desaparecido Para Sempre", da Netflix Crédito: Magali Bragard/Netflix
A narrativa opta por explorar personagens distintos em cada um dos cinco episódios, o que confere profundidade a eles, mas nem sempre funciona bem com o arco principal. Daco, por exemplo, ganha um passado complexo e que nos faz até entender alguns de seus atos no presente, mas eles pouco importam para a jornada de Guillaume, o mesmo vale para o desenvolvimento de Inês, outra personagem que pouco acrescenta à série além de ser utilizada como recurso para uma virada importante do roteiro.
Esses arcos secundários acabam roubando tempo da trama principal e a deixando um tanto apressada em uma história já curta. Assim, o texto recorre a soluções repentinas que tiram o peso das decisões e descobertas dos personagens. O texto entrega um tom um tanto moralista em uma das muitas reviravoltas e constrói a narrativa de forma que o espectador não seja totalmente surpreendido quando elas ganham a tela.
“Desaparecido Para Sempre” é a mais brega adaptação de Coben para a Netflix e também a mais fraca. Ela não tem a carga dramática de “Não Fale com Estranhos” ou o festival de viradas impactantes de “O Inocente”, longe disso, é uma série previsível desde os momentos iniciais do primeiro episódio. Ainda, falta à minissérie um maior cuidado na produção - as tatuagens de alguns personagens são facilmente identificadas como adesivos e as cenas de luta têm coreografias e edição sofríveis.
Vale destacar a ambientação da história. A litorânea Nice oferece um belo cenário para o texto e também questões não presentes no livro de Coben, como a imigração e o racismo, que é levemente abordado, mas logo deixado de lado. Algumas alterações em relação ao material original fazem sentido, dado que a utilização da premissa original deixaria a nova série da Netflix muito próxima de “O Inocente” mesmo que ambas tenham mistérios diferentes em suas essências.
“Desaparecido Para Sempre”, ao fim, é uma experiência decepcionante que não faz jus ao nome de Harlan Coben e não faz valer a ousadia de modificar bastante o texto do livro do autor, podendo irritar os fãs do material original e não conquistar novos. A minissérie francesa carece de peso na narrativa e sofre com sub-tramas não necessariamente ruins, mas descartáveis, um erro que compromete uma série de narrativa curta e picotada entre idas e vindas.
Série
Série "Desaparecido Para Sempre", da Netflix Crédito: Magali Bragard/Netflix

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Dino Fonseca e Patrick Ribeiro
Dino Fonseca canta clássico do rock e dos ano 80 em Vitória; veja fotos
Pesquisa realizada pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) mostra que beneficiários do Auxílio Brasil pretende voltar a comprar carne e leite
Fim da escala 6x1 pode ser realidade no futuro
Pleno do TJES
Quanto vai receber o juiz do ES condenado à aposentadoria

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados