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Crítica

"Escolha ou Morra", da Netflix, se perde feio após ótimo começo

Cheio de nostalgia dos anos 1980, "Escolha ou Morra" tem início sádico e cruel, mas bota tudo a perder com um roteiro expositivo e pouco ousado

Publicado em 16 de Abril de 2022 às 01:47

Públicado em 

16 abr 2022 às 01:47
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Escolha ou Morra", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O que você busca em um filme de terror? Susto, medo, aquela agonia que faz com que você feche os olhos e se encolha no sofá ou uma boa história? Por mais simplista que pareça, a pergunta inicial é essencial para entender se você é ou não o público alvo de “Escolha ou Morra”, lançado pela Netflix. A verdade é que, se você não liga muito para uma história bem construída e está mais preocupado com o terror em si, o filme dirigido por Toby Meakins, em seu primeiro longa-metragem, pode ser uma boa pedida.
A trama, misturando nostalgia e terror, é totalmente fantasiosa. O roteiro segue a estrutura básica de filmes de terror, iniciar com um impacto e depois partir para a história. Assim, conhecemos uma família cujo pai é um colecionador de artefatos dos anos 1980. Enquanto a família está na sala, ele começa a jogar uma espécie de RPG chamado “CURS>R”, mas o jogo curiosamente parece estar observando seus passos e logo o cobra por uma decisão cruel em relação o filho ou a esposa. Como diz o título do filme, ele tem duas opções: escolher ou morrer.
Logo depois o filme nos apresenta à sua protagonista, Kayla (Iona Evans), uma jovem e genial programadora que abandonou a faculdade para arrumar um emprego e cuidar da mãe, às voltas com o vício em drogas. Um dia, ela e o amigo Isaac (Asa Butterfield, de “Sex Education”) colocam as mãos em tal jogo e descobrem haver uma recompensa de US$ 250 mil para quem o completar - será que essa recompensa ainda vale quase 40 anos depois? Obviamente eles começam a jogar e as consequências são terríveis, mas este texto não revelará spoiler algum.
A ideia é simples e sem grandes ousadias: a cada dia, Kayla deve jogar e fazer suas escolhas, ou ela morrerá. O início do filme surpreende por sua eficácia - “Escolha ou Morra” é sádico e faz com que o espectador presencie algumas cenas daquelas de tapar o rosto. Mesmo exigindo uma óbvia suspensão da descrença com o que se vê em tela, o roteiro é simples e direto, construindo uma boa tensão inicial reforçado por uma ambientação marcada pela tecnologia retrô e pelo clima de terror oitentista.
O desenvolvimento da trama, no entanto, abandona um pouco a tensão inicialmente construída. Todo o sadismo e a brutalidade do ato inicial dá lugar a um texto expositivo e à opção por dar “profundidade” ao jogo e, consequentemente, à trama. É irônico, também, que o jogo pareça ser menos cruel quando se aproxima de seu fim devido à necessidade de tentar desenvolver os protagonistas. Além disso, toda a trama que envolve a mãe de Kayla e o traficante/sujeito que comanda o prédio em que ela mora é desnecessária, servindo apenas para entregar alguma recompensa ao público em certo momento do filme.
Filme
Filme "Escolha ou Morra", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Com boa química em tela, tanto Iola Evans quanto Asa Butterfield (em menor proporção) se saem bem quando o texto pede um sensação que mistura medo e descrença. O tal pai de família do prólogo, vivido por Eddie Marsan, também merece muito destaque - é inicialmente com ele que temos noção do peso das decisões do jogo. Outro destaque é para a perturbadora e pesada trilha sonora de Liam Howlett, da banda Prodigy, que dá peso às batidas oitentistas.
É uma pena, assim, que “Escolha ou Morra” gradualmente se esqueça do sadismo e da estranheza que oferece em seus primeiros 30 minutos. O texto funcionaria melhor se tivesse o desconhecido como protagonista, elencando mortes e desafios, uma linguagem similar à que fez sucesso com “Jogos Mortais”, mas opta por explicações que não apenas tiram peso do filme, mas também o tornam bem menos atrativo.
Filme
Filme "Escolha ou Morra", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Ao fim, “Escolha ou Morra” é um terror razoável, com uma boa premissa e um início excelente, mas que o filme não consegue sustentar por muito tempo. Talvez desperte alguma nostalgia para quem foi criança nos anos 1980, com os jogos de aventura de texto, mas, com um roteiro problemático e uma narrativa que se torna comum, o resultado é bem mais esquecível do que memorável.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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