Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crítica

"Furioza": policial da Netflix tem violência brutal dos hooligans

Filme policial polonês "Furioza", da Netflix, é uma jornada dura e brutal sobre grupos organizados de torcidas de futebol.

Publicado em 07 de Abril de 2022 às 15:06

Públicado em 

07 abr 2022 às 15:06
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme polonês
Filme polonês "Furioza", lançado pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Lançado em 2005, “Hooligans”, de Lexi Alexander, mostrava a violência de grupos hooligans na Inglaterra. O filme estrelado por Elijah Wood (“O Senhor dos Anéis”) e por um ainda desconhecido Charlie Hunnam (“Sons of Anarchy”) foca na histórica e violenta rivalidade entre os times londrinos West Ham e Milwall, mas é também um drama convencional e sem grandes surpresas. Ainda assim, o filme é o que vem imediatamente à mente ao falar de "Furioza", lançamento polonês da Netflix.
Furioza é o nome de um grupo hooligan que ocupa seu tempo em brigas organizadas com outros grupos, ameaçando os jogadores do time por resultados melhores e indo aos jogos apenas para causar confusão - o futebol fica em segundo plano tanto para a torcida quanto para o filme. “Furioza” é, em sua essência, um filme de máfia, uma história sobre honra, lealdade e vingança.
O filme tem um início meio estranho, com acontecimentos em um trem onde brevemente conhecemos Dawid (Mateusz Banasiuk). Com uma narrativa não-linear, o filme nos leva ao presente, quando o protagonista é recrutado pela ex-namorada, Dzika (Weronika Ksiazkiewicz), uma policial, para se infiltrar no Furioza a fim de investigar ligações do grupo com o tráfico de drogas. Tanto Dawid quanto Dzika são ex-hooligans e ex-membros da torcida agora comandada por Kaszub (Wojciech Zielinski), irmão de Dawid.
“Furioza” segue a estrutura de filmes policiais com um agente infiltrado, com Dawid mergulhando novamente nas práticas hooligans e se aproximando cada vez mais do risco de ser descoberto. O texto faz algumas escolhas arriscadas e que nem sempre funcionam, como a já citada cena de abertura, que só faz algum sentido lá pelo meio do filme, quando já nem nos importamos mais com ela. O curioso é que a cena em questão é boa e tem importância no filme, mas ela perde peso ao ser picotada.
Filme polonês
Filme polonês "Furioza", lançado pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Da mesma forma, o roteiro dá início ao terceiro ato com um acontecimento forte, mas que acaba atropelado pela narrativa, que necessita partir imediatamente para seu desfecho e não dá aos personagens - e ao protagonista - o tempo necessário para assimilar o que aconteceu.
A maneira como a violência é mostrada é um dos destaques de “Furioza”. Mesmo sem esconder sangue, o filme nunca é extremamente gráfico, mas sua violência é crua e muito próxima da realidade, característica reforçada pelos trabalhos de mixagem de edição de som.
Filme polonês
Filme polonês "Furioza", lançado pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Lembrando muito o filme italiano “Gomorra” (2008), o longa dirigido por Cyprian T. Olencki usa sons secos para socos, golpes de fação e tiros, deixando tudo mais crível; ainda, as coreografias não são tão elaboradas ao ponto de parecerem falsas, o que faz com que sintamos a intensidade e o peso dos golpes.
É interessante como, apesar do apressado ato final, no qual muita coisa acontece, o filme ainda consegue dar uma desacelerada antes de seu desfecho. “Furioza” chega perto de glamourizar os hooligans, a lealdade entre eles e o código moral, mas essa narrativa perde força quando se percebe que essas são características incentivadas ou refutadas pelas lideranças. Perto do fim, o roteiro reforça o peso das escolhas individuais e o preço a ser pago por elas.
“Furioza” é um bom filme policial, com ótimas cenas de ação, mas também um bom drama sobre cisões, sobre aquela trajetória iniciada em conjunto que, por um ou outro motivo, acaba separando os caminhos. Tem problemas de estrutura narrativa, mas eles são facilmente superados pela brutalidade do filme e pelo peso de seu desfecho.
Filme polonês
Filme polonês "Furioza", lançado pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Com ferrovia funcionando, Vports quer dobrar movimento de gusa por Vila Velha
Inteligência Artificial vai acabar com algumas profissões
O profissional de marketing na era da IA
Imagem de destaque
Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 24/04/2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados