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Crítica

"Gente Ansiosa": minissérie sueca da Netflix é ótima

"Gente Ansiosa" leva para as telas o livro de Fredrik Backman em uma história leve, bem construída e com um pouco de esquisitice. É a série ideal para fechar o ano

Publicado em 30 de Dezembro de 2021 às 00:22

Públicado em 

30 dez 2021 às 00:22
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Gente Ansiosa", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Um dos filmes mais legais de 2016, o sueco “Um Homem Chamado Ove” foi indicado a dois Oscar no ano seguinte com uma história simples, engraçada, cheia de afeto e com aspectos de uma fábula, características que justificavam o sucesso do filme e a inevitável negociação para uma versão americana da obra (que terá Tom Hanks como protagonista). O roteiro do filme é uma adaptação para os cinemas para o livro homônimo de Fredrik Backman, também autor do livro que inspirou a boa série “Beartown”, disponível no Brasil via HBO Max.
O texto de Backman é fácil, uma narrativa eficaz ao desenvolver personagens e construir tensão. É justamente por isso que “Gente Ansiosa”, minissérie que chegou à Netflix dia 29, funciona tão bem. Adaptação do livro mais recente do escritor, a série divide a narrativa em seis episódios de cerca de 30 minutos cada, o que a torna ágil, sempre em movimento e muito gostosa de se acompanhar - exatamente como o livro.
“Gente Ansiosa” se passa em uma pequena e pacata cidade da Suécia. Um dia, após uma tentativa de assalto a um banco, o assaltante parte em fuga e acaba invadindo um apartamento aberto à visitação e tomando reféns todas as pessoas que estavam por lá. Desacostumados a casos de violência na cidade, os policiais Jack (Alfred Svensson) e Jim (Dan Ekborg), pai e filho, tentam resolver a situação como podem.
O primeiro episódio da minissérie mostra o assalto pelo ponto de vista dos policiais, quase sempre do lado de fora do apartamento. As obras nórdicas, até mesmo as tramas policiais como a ótima “Assassino de Valhalla”, trazem um aspecto interessante e que ainda causa uma certa estranheza a um público acostumado ao armamentista aparato policial brasileiro e americano - os policiais não carregam armas e tampouco têm intimidade com elas. O equipamento apenas pode ser solicitado em caso de uma ameaça armada, algo nem sempre habitual por aquelas bandas.
Série
Série "Gente Ansiosa", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
À medida que a série avança, a narrativa mostra um pouco mais do ocorrido naquele apartamento durante o sequestro. De maneira simples, mas muito divertida, a série vai montando o quebra-cabeças sem didatismo, mas também sem deixar nenhuma ponta solta. “Gente Ansiosa” é uma série de humor, mas que se sai bem quando precisa passear pelo policial e pelo drama.
O livro de Backman acerta na ambientação da história em uma cidade pequena, o que torna as coincidências do texto um pouco mais naturais - todo mundo se conhece, sabe das vidas dos outros, se encontra facilmente nas ruas e acabam tendo a vida conectada de uma forma ou de outra. Essa característica é transportada para a série, que amarra tudo sem se sustentar nessa muleta.
Série
Série "Gente Ansiosa", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
“Gente Ansiosa” é ótima também nas escolhas que faz no desenvolvimento da trama. Em alguns momentos, a série manipula a expectativa do espectador e o faz acreditar que o texto, assim como tantos outros que consumimos desde sempre, irá partir para um caminho fácil. Com o tempo, porém, a narrativa nos leva para outros caminhos que conferem à série um tom cômico com estrutura similar à de “Entre Facas e Segredos”, por exemplo.
É muito interessante como a trama de repente subverte o “whodunit” cômico inicial para uma dramédia bem estruturada e com bons personagens. A comédia está na essência de “Gente Ansiosa”, mas o roteiro vai além e consegue trabalhar a crueldade do sistema bancário, a culpa e a (falta de) empatia - às vezes tudo vem de forma atropelada, mas não chega a incomodar e combina com o ritmo da série.
Série
Série "Gente Ansiosa", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O fato de se manter uma produção sueca e cheia de rostos pouco conhecidos por aqui torna tudo menos previsível, pois não sabemos previamente o tamanho de um ou outro personagem na trama baseado apenas na popularidade do ator que o interpreta. É curioso, ainda, como uma escolha de casting que parece equivocada, a do ladrão, se torna um dos méritos da série.
Com uma narrativa ágil, um texto bem escrito, uma dose saudável de esquisitice e bons personagens, “Gente Ansiosa” é uma das opções mais legais de lançamentos neste fim de ano e uma das séries mais agradáveis de todo 2021.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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