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Crítica

"Kate": filme da Netflix é genérico, mas diverte com muito estilo

Mary Elizabeth Winstead brilha como uma implacável assassina em "Kate", filme de ação estilo "John Wick" lançado pela Netflix

Publicado em 10 de Setembro de 2021 às 14:44

Públicado em 

10 set 2021 às 14:44
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Mary Elizabeth Winstead em "Kate", filme da Netflix Crédito: Jasin Boland/Netflix
Em 1999, as irmãs Wachowski revolucionaram o cinema de ação com “Matrix”. A ação cinematográfica nunca mais foi a mesma depois das protagonizadas por Neo e Trinity em um dos filmes mais influentes da História. Muito ali se baseia em computação gráfica, principalmente nas continuações, mas a famosa sequência em que a dupla invade um prédio para resgatar Morpheus é feita quase em sua totalidade com recursos práticos. Foram necessárias horas de treinamento de artes marciais, coreografias com cabos de aço e profissionais especializados no cinema asiático. O resultado é inesquecível e até hoje, 22 anos depois, serve de referência.
Um dos dublês do filme foi Chad Stahelski, que ocupava o lugar de Keanu Reeves em cenas mais ousadas - inclusive na anteriormente citada. Nas duas continuações, Chad recebeu a companhia de David Leitch na equipe. Anos mais tarde, e com alguma experiência em direção de segunda unidade, a dupla deixou os trabalhos de dublê e se aventurou pela direção com “John Wick - De Volta ao Jogo” (2014). O fato de já terem trabalhado com Keanu Reeves foi fundamental para atraí-lo ao projeto e, assim, dar mais visibilidade a ele.
“John Wick” revolucionou novamente o cinema de ação com coreografias de menos artes marciais, mas usando armas para combate próximo e brutal em takes longos, algo que o cinema de ação de Hong Kong já apelidava de “gun-fu”. Stahelski e Leitch se separaram, com o primeiro se mantendo nos filmes da franquia “John Wick” e o segundo trabalhando em blockbusters como “Deadpool 2” (2019) e “Hobbs & Shaw (2018), além de ter levado para a tela “Atômica” (2017), com Charlize Theron, talvez o filme que mais se aproxime dos protagonizados por Keanu Reeves, mas com um diferencial: uma mulher, Charlize Theron, dá vida e corpo à ação.
E foram justamente filmes como “John Wick” e principalmente “Atômica” que permitiram que “Kate”, lançado nesta sexta (10) pela Netflix, saísse do papel. Dirigido por Cedric Nicolas-Troyan, do fraco “O Caçador e a Rainha do Gelo” (2016), o filme estrelado por Mary Elizabeth Winstead pega emprestado diversos elementos de seus pares, mas se esforça para criar uma identidade própria.
A atriz vive a personagem-título, uma assassina implacável disposta a deixar a profissão após uma missão que feriu seus princípios por envolver uma criança. Antes do derradeiro assassinato, porém, Kate é envenenada, não consegue eliminar o chefão da Yakuza e tem cerca de 24 horas para descobrir quem fez isso com ela e cumprir a missão a que foi designada.
Filme
Mary Elizabeth Winstead em "Kate", filme da Netflix Crédito: Jasin Boland/Netflix
O texto de Umair Aleem coloca Kate ao lado de Ani (Miku Patricia Martineau), a criança da missão anterior, materializando uma velha crítica de roteiros escritos por homens para humanizar mulheres construídas como vilãs: “despertar” o instinto maternal em uma mulher para quem é reforçado que ela se trata de um instrumento. Assim, ao menos em seus momentos finais, Kate sente o afeto da família que nunca teve - sua figura paternal, Varrick (Woody Harrelson), é o assassino que a treinou.
O mérito de “Kate” é conseguir que sua ação valha a pena e supere o roteiro genérico. Como já havia mostrado em “Aves de Rapina”, Mary Elizabeth Winstead se sai muito bem em filmes de ação, mesmo com mais combate corporal e com armas. A atriz fez treinamentos específicos para cada técnica utilizada pela personagem e o resultado é ótimo.
A direção de Nicolas-Troyan entrega um filme ágil, sempre em movimento por uma Tóquio noturna e o tempo todo iluminada por luzes neon. É interessante ver como Kate se deteriora durante o filme e nunca se recupera; ela sai mais ferida de cada combate e Elizabeth Winstead mostra isso ao público. A protagonista não tem muita profundidade e toda a personalidade dela é desenvolvida nas quase duas horas de filme, o que nem sempre é suficiente para despertar a empatia do outro lado da tela.
Filme
Mary Elizabeth Winstead em "Kate", filme da Netflix Crédito: Jasin Boland/Netflix
Esse aspecto faz com que o espectador fique em seu lugar, no sofá, com a única obrigação de se divertir com “Kate”. O filme é estiloso, filmado em locações ao invés de telas verdes, com um colorido vivo e embalado por uma trilha sonora de muito rock e pop japonês. O brilho, claro, está na ação, da incrível (ainda que computadorizada) perseguição de carro pelas ruas de Tóquio às viscerais lutas com armas de fogo ou facas.
De volta ao roteiro, é de se lamentar que ele não encontre uma solução melhor para apresentar a reviravolta do terceiro ato do que o excesso de exposição. Em um diálogo quase constrangedor em que os “vilões” explicam tudo, mas tudo mesmo, o texto apresenta aquilo de que o público já desconfiava.
Apesar do roteiro genérico e de algumas derrapadas, “Kate” é um ótimo entretenimento muito em função de Mary Elizabeth Winstead (que parece pronta para viver Ripley em um remake de “Alien”) e do estilo impresso por Nicolas-Troyan. Em uma Netflix na qual filmes como “Justiça em Família”, “Incursão Alienígena” e “Ascensão do Cisne Negro” passam semanas entre os mais vistos, “Kate” tem tudo para se destacar com folga.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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