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Crítica

"Mesa Para Quatro", da Netflix, é melhor do que acredita ser

Comédia romântica italiana "Mesa Para Quatro", lançada pela Netflix, se propõe a subverter o mito da "alma gêmea" nas histórias de amor

Publicado em 05 de Janeiro de 2022 às 21:48

Públicado em 

05 jan 2022 às 21:48
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme italiano
Filme italiano "Mesa Para Quatro", da Netflix, conta duas histórias de possíveis casais Crédito: Netflix/Divulgação
A cultura pop desde sempre tenta vender a ideia da “alma gêmea”, daquele alguém cujo destino se cruzará com o nosso uma hora ou outra, da pessoa sem a qual dificilmente encontraremos a felicidade plena. O filme italiano “Mesa Para Quatro”, lançado pela Netflix nesta quarta (5), chama a atenção justamente por prometer subverter o conceito de “almas gêmeas” nas comédias românticas.
Dirigido por Alessio Maria Federici e escrito por Martino Coli, o filme é a história de dois amigos, Matteo (Matteo Martari) e Dario (Giuseppe Maggio, do ótimo “Demais Pra Mim”), e duas amigas, Giulia (Matilde Gioli) e Chiara (Ilenia Pastorelli), todos apresentados durante um jantar de amigos em comum, um casal doido para formar novos casais para ter com quem conviver.
“Mesa Para Quatro” tem narrativa atrativa, misturando as histórias e os casais - inicialmente Giulia fica com Dario e Chiara, com Matteo, mas, paralelamente, o filme também mostra como seria a história dos casais invertidos. O texto de Martino Coli é mais interessante nesse primeiro momento, quando os casais estão se conhecendo e abrindo gradualmente suas intimidades.
Todo jogo de sedução e conquista é bem feito, com troca de mensagens, flertes e aquele frio na barriga. É nesse momento do filme também que o texto apresenta e desenvolve melhor seus personagens e tira proveito disso. “Mesa Para Quatro” nada seria com protagonistas rasos e história simples - o filme da Netflix consegue lidar bem com diversos aspectos de um relacionamento.
Filme italiano
Filme italiano "Mesa Para Quatro", da Netflix, conta duas histórias de possíveis casais Crédito: Netflix/Divulgação
É interessante como alguns arcos se repetem de qualquer forma, em ambas histórias, e com pessoas diferentes envolvidas, mas geram efeitos e reações distintos. Isso não significa haver um certo ou um errado, e “Mesa Para Quatro” funciona sem fazer esse juízo de valor. O filme apenas tenta mostrar como pessoas são diferentes e como relacionamentos nunca serão iguais, ou seja, não se deve idealizar uma relação com base na relação de outros, mas sim construir uma própria.
A opção por misturar as duas narrativas ao invés de apresentá-las separadamente é acertada, pois dá ritmo ao filme e brinca com as expectativas do espectador, que em um momento torce para um casal, mas muda de opinião sem seguida. O quarteto de protagonistas é quase sempre bom, com algumas dinâmicas que funcionam melhor com um ou outro casal, exatamente como o filme se propõe a fazer.
Filme italiano
Filme italiano "Mesa Para Quatro", da Netflix, conta duas histórias de possíveis casais Crédito: Netflix/Divulgação
À medida que se aproxima de seu fim, “Mesa Para Quatro” parece não saber exatamente aonde quer chegar ou qual o rumo que pretende seguir. Mesmo um pouco apressado, o filme surpreende e chega bem à sua conclusão, mantendo sua ideia inicial de que não há uma “alma gêmea”, mas diversas possibilidades em relacionamentos que funcionam e outros que não dão certo, mas todos que dependem mais dos envolvidos do que de algum “destino”. Pena que, ao fim, o filme se esquece de qualquer sutileza e explica tudo o que acabou de mostrar - um final aberto talvez fosse uma escolha melhor para uma história de possibilidades.
“Mesa Para Quatro” peca por não ter grandes conflitos (não tem tempo para isso) e por mirar alto demais. Ainda assim, mesmo sem necessariamente subverter as histórias de “almas gêmeas”, o filme é bem agradável e com bons momentos de intimidade dos casais, concentrando-se nos pequenos detalhes de uma relação ao invés de recorrer a fórmulas pré-estabelecidas do gênero.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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