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Crítica

"O Inocente": suspense da Netflix é um festival de reviravoltas

Baseada no livro homônimo de Harlan Coben, minissérie espanhola "O Inocente" leva muito mistério e reviravoltas à Netflix

Publicado em 05 de Maio de 2021 às 14:10

Públicado em 

05 mai 2021 às 14:10
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "O Inocente", da Netflix, baseada no livro de Harlan Coben Crédito: Quim Vives/Netflix
“Harlan Coben é um fenômeno literário americano que não vingou muito por aqui apesar de seus 75 milhões de livros vendidos em 44 idiomas mundo afora. (...) Sua literatura é do estilo ame ou odeie, com reviravoltas e surpresas a cada página, mesmo que nem sempre fazendo muito sentido”. Foi com essas palavras que comecei o texto sobre a ótima série “Não Fale Com Estranhos”, da Netflix, mas é inevitável não repeti-las para escrever sobre “O Inocente”, série espanhola da mesma plataforma de streaming.
A nova minissérie da Netflix é produzida e tem todos os seus oito episódios dirigidos por Oriol Paulo, um dos nomes mais interessantes do novo cinema espanhol. Responsável pelos ótimos “Um Contratempo” (2016) e “O Corpo” (2012), o cineasta se especializou em um cinema de reviravoltas e mistérios que encontra na literatura de Coben um par perfeito.
“O Inocente” conta a história de Mateo Vidal (Mario Casas, de “Um Contratempo”), um jovem que é levado a cumprir pena após um acidente durante uma briga na qual ele nem sequer queria se envolver. Mateo é preso, cumpre sua pena, sai e reestabelece sua vida trabalhando ao lado do irmão. Ele também reencontra um antigo caso, Olivia (Aura Garrido, da série “O Ministério do Tempo”), e está prestes a ser pai, mas um telefonema muda o rumo da vida dos dois para sempre.
Sem grandes revelações para não entregar nenhum das várias viradas do texto, é possível dizer que “O Inocente” é uma trama com espectro muito mais amplo do que aparenta inicialmente. À medida que Mateo vai tentando descobrir o que está acontecendo, a série mergulha em um oceano de reviravoltas com um grande número de personagens envolvidos.
Série
Série "O Inocente", da Netflix, baseada no livro de Harlan Coben Crédito: Quim Vives/Netflix
“O Inocente” está sempre em movimento e nunca passa muito tempo no mesmo ponto da trama. O primeiro episódio, que ambienta o espectador naquele mundo, parece meio atropelado, mas depois nos acostumamos ao ritmo da série. Assim, quando o segundo episódio tem início com a história da detetive Lorena Ortiz (Alexandra Jiménez), parece estranho e até pouco interessante, pois queríamos voltar ao gancho do episódio anterior. As histórias, é claro, logo se encontram.
Com oito episódios, dois com mais de uma hora, a minissérie parece se estender além do necessário, mas ela se mantém quase sempre fiel ao livro de Coben. Há alguma mudança de estrutura e em um acontecimento que vai chocar até os fãs do livro publicado em 2005, mas é uma adaptação bem fiel.
O problema de “O Inocente” é o excesso de exposição de suas viradas - cada reviravolta do texto ganha uma explicação longa e justificada, com flashbacks para mostrar todas as motivações dos envolvidos o que os levou àquele ponto. Não resta nada a ser explicado, o que pode agradar parte do público, mas não resta nada para a subjetividade, o que incomoda narrativamente.
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Série "O Inocente", da Netflix, baseada no livro de Harlan Coben Crédito: Quim Vives/Netflix
O excesso de viradas também tira um pouco do foco da série. - os arcos se cruzam, mas nem sempre de forma orgânica. Algumas reviravoltas funcionam bem e realmente pegam o espectador de surpresa, mas outras, inclusive a mais importante delas, é bem previsível. Essa crítica, vale ressaltar, é mais pertinente ao material original do que à minissérie de Oriol Paulo, que até cria uma reviravolta para chamar de sua, algo inexistente nos livros, mas na maior parte do tempo se limita a dar vida às ideias de Coben.
O diretor e roteirista faz um bom trabalho ao levar a série para as ruas de Barcelona (e Marbella), aproveitando a bela arquitetura da capital catalã. O texto diminui o tempo de alguns arcos para que o espectador seja realmente impactado pelas descobertas e essa escolha é eficaz ao nos deixar completamente no escuro em alguns momentos.
Ao levar a história para sua Espanha (originalmente se passa em Nova Jersey), Oriol Paulo aproveita para falar de questões do país, como o tráfico de mulheres. Como vimos em “Sky Rojo”, a Espanha é o terceiro país do mundo no consumo de prostituição, o primeiro na Europa. Meninas de comunidades pobres da América Latina vão à Espanha atrás de dinheiro e acabam se tornando vítimas de uma rede de tráfico internacional de mulheres. 
Série
Série "O Inocente", da Netflix, baseada no livro de Harlan Coben Crédito: Quim Vives/Netflix
“O Inocente”, quarta série das 14 que serão produzidas pela Netflix a partir da obra de Coben (“Safe”, “Silêncio na Floresta” e “Não Fale com Estranhos” já foram lançadas), é um prato cheio para os fãs do autor e do gênero. É um grande deleite também para os fãs do trabalho de Oriol Paulo, um diretor talentoso e que sabe contar histórias e ambientar thrillers de crime.
Dito isso, a narrativa tem dificuldades em alguns momentos de cumprir com a expectativa do espectador. Isso é causado por algumas escolhas do texto e algumas quebras de ritmo, mas também pelo excesso de viradas. “O Inocente” é um bom e bem amarrado suspense, mas uma obra com problemas de didatismo e exposição que ocupa um tempo que poderia ser mais bem aproveitado.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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