“Outer Banks”, nova série da Netflix, é um encontro geracional. Girando em torno de um grupo de jovens bonitos e sarados que embarcam em uma grande aventura de caça ao tesouro, a série consegue misturar elementos dramáticos de “The OC” com o aspecto aventuresco de “Goonies” ou alguma outra aventura oitentista.
Outer Banks, local que dá nome ao seriado, é uma região de pequenas ilhas no litoral da Carolina do Norte, nos EUA. É nessa região, obviamente, que encontramos John B (Chase Stokes), Kiara (Madison Bailey), Pope (Jonathan Daviss) e JJ (Rudy Pankow), os Pogues, jovens da parte pobre das ilhas. O grupo funciona como um núcleo familiar e cada um deles tem sua personalidade própria e seus problemas, alguns deles são desenvolvidos ao longo dos 10 episódios da primeira temporada.
Desde a sequência de abertura, quando somos apresentados ao ambiente e aos personagens, a série nunca para de se movimentar - seja no lado aventuresco da narrativa ou na construção dos relacionamentos da trama.
A série teen não reinventa nada, mas faz bom uso de suas influências. Após um fortíssimo furacão, os Pogues encontram uma embarcação afundada e resolvem explorá-la. Lá eles descobrem um artefato que pode estar ligado ao desaparecimento do pai de John B, um sujeito que dedicou a vida a encontrar um navio afundado na região e dentro do qual se encontrava uma verdadeira fortuna. É claro que eles não são os únicos atrás desse tesouro. Começa então um jogo de gato e rato com altos e baixos, mas sempre divertido.
Mesmo não tendo sido filmada em Outer Banks, a série consegue emular bem a região e a diferença provavelmente só será perceptível para quem tem conhecimento da área. A fotografia é bonita, com filtros que parecem situar a ação sempre ao amanhecer ou ao por do sol. O cenário é sempre paradisíaco.
A série tem bons momentos em sua caça ao tesouro, mesmo que caia em várias saídas fáceis com os vilões aparecendo sempre no momento certo; até o roteiro faz piada com isso (creio que não-intencional) em uma sequência. Em compensação, o texto gasta tempo com tramas secundárias bobas e desnecessárias, talvez uma maneira de manter atento um público mais novo, que não consome as referências citadas anteriormente, mas sim os dramas adolescentes de amadurecimento - sexo, drogas e bebidas estão presentes, mas sempre de maneira muito conservadora.
Para reforçar o aspecto nostálgico pelo qual a Netflix tanto preza, o roteiro é criativo: o furacão derrubou as comunicações locais, ou seja, nada de internet, mensagens e telefones de fácil acesso (a não ser quando convém ao texto). Tudo o que precisam saber está nas pistas deixadas pelo pai de John B ou nas encontradas pela turma.
“Outer Banks” poderia ter uns dois episódios a menos na temporada para enxugar seu arco final. Os últimos três episódios são movidos a burrices e a comportamentos inexplicáveis, tudo para mover o roteiro de um ponto a outro. É nesse momento também que a série perde um pouco de seu charme, na tentativa de colocar os Pogues em perigo, em situações que façam o público temer por eles - não é esse tipo de série.
Ao final, “Outer Banks” é sobre riscos - são jovens tomando para si o próprio destino, superando obstáculos e adversidades sociais e familiares para alcançar seus objetivos. Mesmo pouco original, a série é atraente e ágil o suficiente para não perde o espectador sempre ansioso para ver para onde a aventura vai levar os Pogues no próximo momento.