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Crítica

"Passageiro Acidental", na Netflix, é bom drama de sobrevivência

Dirigido pelo brasileiro Joe Penna, "Passageiro Acidental" chega à Netflix com doses de ficção científica e bastante drama de sobrevivência

Publicado em 22 de Abril de 2021 às 23:00

Públicado em 

22 abr 2021 às 23:00
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Passageiro Acidental", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Em 2018, o cineasta brasileiro Joe Penna e o roteirista Ryan Morrison lançaram o bom “Ártico”. No filme, Mads Mikkelsen vive um homem perdido sozinho no Círculo Polar Ártico após um acidente aéreo. Sem resgate à vista, ele precisa escolher entre permanecer em um lugar seguro, mas no qual não será encontrado, ou se arriscar por uma jornada pelo desconhecido na esperança de sair de lá vivo.
O curioso é que esse roteiro inicialmente se chamava “On Mars” e se passava, obviamente, em Marte ("Mars", em inglês). O problema é que “Perdido em Marte” estava em produção na época e a premissa de um homem sobrevivendo no Planeta Vermelho era bem similar. Penna e Morrison, então, ambientaram seu ótimo filme no Ártico e guardaram a viagem a Marte para outra ocasião.
“Passageiro Acidental”, que chegou nesta quinta (22) à Netflix, foi escrito antes de “Ártico” e os dois filmes teriam uma conexão, mas o curso dessa viagem já havia sido alterado. O filme, mais um drama espacial do que uma ficção científica, tem início na decolagem de uma nave rumo a Marte. Dentro dela, apenas a comandante Marina Barnett (Toni Collette), o cientista botânico David Kim (Daniel Dae Kim) e a pesquisadora médica Zoe Levenson (Anna Kendrick). Após um pequeno contratempo, a nave se estabiliza, mas não demora para a tripulação descobrir que há mais alguém a bordo.
Ao invés de se aproveitar da premissa para criar um terror espacial, “Passageiro Acidental” se transforma em um drama de sobrevivência. Em uma viagem espacial como essa, tudo é limitado e contabilizado, como um diálogo deixa claro logo no início em uma brincadeira entre David e Zoe. A presença desse novo elemento, que ninguém sabe ao certo como foi parar ali, altera toda a dinâmica da expedição, que agora precisa se preocupar mais em sobreviver do que em realizar os experimentos que planejavam em Marte.
“Passageiro Acidental” é um filme relativamente claustrofóbico, o que acontece não apenas pelo confinamento de quatro pessoas em uma nave que já havia sido adaptada para caber três, mas também porque muito se sabe além que se vê em tela. Em toda comunicação, por exemplo, ouvimos apenas o que é dito pela tripulação, sem nunca saber as respostas para o que dizem. Entendemos que já existem colônias em marte e que as viagens até lá acontecem com certa frequência. Aprendemos também que essas expedições aparentam ser da iniciativa privada, comandadas por uma empresa chamada Hyperion, mas noss informação fica por aí.
Toni Collette, Daniel Dae Kim e Anna Kendrick em "Passageiro Acidental" Crédito: Netflix/divulgação
O roteiro de Penna e Morrison é eficaz ao evitar exageros narrativos. Se por um lado não há uma sequência brilhante como a do balé de sangue em “O Céu da Meia-Noite”, por outro é possível entender mais o drama daqueles personagens, entender o peso da situação por que eles passam e das escolhas que se veem obrigados a fazer. Assim, entendemos a urgência e o sacrifício que é necessário fazer para que eles tenham chances de sobrevivência - não há em momento algum o questionamento “mas por que eles fazem isso?”, pois eles fazem porque não há outra opção. Ajuda o fato de elenco ser ótimo e entender que o peso da trama está depositado em suas atuações.
Essa característica de ser um filme espacial mais “contido” possibilita que “Passageiro Acidental” manipule as expectativas do público até seu clímax com tensão e boas doses de esperança. É curioso, assim, que quando uma inevitável sequência ganha a tela, ela gera uma grande mudança em tudo o que o filme construiu até aquele ponto. Sim, são acontecimentos que já haviam sido ensaiados pelo roteiro, mas algumas escolhas desse momento fazem com que “Passageiro Acidental” se aproxime de filmes genéricos do estilo.
Filme
Filme "Passageiro Acidental", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Ao fim, a jornada de “Passageiro Acidental” é uma experiência interessante mesmo que não ofereça uma recompensa propriamente dita, mas uma melancolia que confere um sabor agridoce ao final. Joe Penna constrói um filme tenso e quase poético, uma obra que foge tanto da ficção científica e do terror espacial quanto de um possível melodrama, mas que perde força em seu terceiro ato.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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