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Crítica

"Pieces of a Woman", da Netflix, é um bonito drama sobre luto

Lançado pela Netflix, "Pieces of a Woman" tem atuação magistral de Vanessa Kirby como uma mãe lidando com o luto de perder a filha logo após o nascimento

Publicado em 07 de Janeiro de 2021 às 16:39

Públicado em 

07 jan 2021 às 16:39
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Pieces of a Woman", da Netflix Crédito: Benjamin Loeb / Netflix
Como lidar com o luto? Há quem internalize a dor, mas também há quem exploda. De qualquer maneira, praticamente todos sucumbem a ela. “Pieces of a Woman”, lançado nesta quinta (8) pela Netflix, mostra os dois casos em um verdadeiro estudo de luto.
O filme dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó acompanha o luto do jovem casal formado por Martha (Vanessa Kirby) e Sean (Shia LaBeouf). Martha é filha de uma família rica, enquanto Sean é um trabalhador da construção civil envolvido na obra de uma ponte que acaba ganhando um significado maior na narrativa.
Martha optou por um parto humanizado ao invés de ir ao hospital, mas, no momento de dar à luz a primeira filha, a parteira que os acompanhou durante o processo não conseguiria chegar a tempo e indica Eva (Molly Parker) para realizar o parto.
A sequência do parto, mostrada como um grande plano sequência de 23 minutos, é impressionante. Kornél Mundruczó segue Vanessa Kirby o tempo todo, sem cortes visíveis, e coloca a audiência como parte daquele ambiente - a cada descrição do que Martha sente, o espectador acompanha a protagonista de forma quase sensorial. Assim, quando a criança morre (não é um spoiler, mas sim a premissa do filme), sentimos de perto a dor dos pais.
“Pieces of a Woman” usa saltos temporais interessantes para mostrar a degradação de Martha e Sean, cada um lidando com o luto a seu modo. Martha se fecha e se sente obrigada a demonstrar uma força de “vida que segue” que talvez não tenha - é difícil seguir em frente quando tudo, inclusive seu próprio corpo, a faz lembrar da maternidade. O processo que a família move contra Eva, ainda, é algo que mantém todos presos ao ocorrido.
Filme
Filme "Pieces of a Woman", da Netflix Crédito: Benjamin Loeb / Netflix
Seu companheiro, no entanto, funciona de maneira oposta, externalizando todos os sentimentos que envolvem a morte da filha e, de certa forma, se sentindo culpado pelo ocorrido. Ele entende o comportamento distante de Martha como sendo uma punição e quer que tudo volte ao normal para se sentir, enfim, perdoado, mas, no processo, não respeita o luto da companheira.
O roteiro de “Pieces of a Woman” dá umas escorregadas na figura da promotora do caso, Suzanne (Sarah Snook, de “Succession”), que coincidentemente é prima de Martha. Em nenhum momento ela passa credibilidade na figura da advogada de acusação, e, além disso, obviamente está muito mais próxima do caso do que deveria. Seu arco é raso e desnecessário à trama.
Mesmo que superficialmente, o texto ainda trata da degradação mental da mãe da protagonista. Vivida de maneira intensa por Ellen Burstyn, Elizabeth acha que a filha merece mais do que Sean e, tendo sofrido durante a infância, se esforça para dar às filhas uma vida melhor do que a que teve, mesmo que preciso intervir e ser tóxica em diversos momentos.
Filme
Filme "Pieces of a Woman", da Netflix Crédito: Benjamin Loeb / Netflix
Vanessa Kirby provavelmente estará entre as finalistas ao Oscar deste ano. Ela entrega uma atuação que vai da intensidade das primeiras cenas, em que sentimos com ela a dor do parto e a perda da filha, à delicadeza de alguns encontros com crianças em sua rotina - ainda tem cenas marcantes com Burstyn e LaBeouf, ambos muito bem em cena. É uma pena que o filme seja lançado com o ator envolvido em acusações de abuso físico e mental de duas ex-companheiras. Com esses fatos em mente, algumas de suas cenas ganham até novos e desagradáveis significados.
“Pieces of a Woman” é um filme forte, mas também é bonito e até singelo. Mesmo quando parece estar vagando sem rumo, a narrativa funciona como um paralelo aos sentimentos de Martha, que também não sabe ao certo aonde ir. Os saltos temporais reforçam esse vazio e fazem com que o espectador preencha boa parte das lacunas por conta própria a partir de algumas dicas deixadas pelo roteiro. O final é dúbio, mas, de qualquer forma, satisfatório. A interpretação vai depender do olhar de cada espectador para o filme e a própria vida.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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