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Crítica

"Rebelde": série da Netflix é ótima no que se propõe a fazer

Lançamento da Netflix mistura continuação e remake da novela mexicana "Rebelde" em uma história adolescente cheia de música e latinidade

Publicado em 06 de Janeiro de 2022 às 19:51

Públicado em 

06 jan 2022 às 19:51
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Rebelde" reapresenta e continua história da novela mexicana de mesmo nome Crédito: Mayra Ortiz/Netflix
O poder da dramaturgia mexicana e um fortíssimo apelo de música pop bem feita levaram a novela “Rebelde” para o mundo no início dos anos 2000. Foram hoje inimagináveis 440 capítulos distribuídos em três temporadas transmitidas no Brasil pelo SBT e status de celebridade internacional para Anahí, Dulce María, Alfonso Herrera, Christopher von Uckermann, Maite Perroni e Christian Chavez, que formaram a banda RBD. A banda vendeu mais 50 milhões de discos, excursionou o mundo e encerrou suas atividades em 2008 - sem dois integrantes da formação original, o RBD fez um especial no fim de 2020 e anunciou uma turnê para 2022.
“Rebelde” e a RBD, no entanto, foram um fenômeno geracional. Os fãs da novela e da banda envelheceram e a marca perdeu relevância entre quem importa para a cultura pop, os jovens consumidores. Agora em formato série, “Rebelde” encontra uma casa perfeita na Netflix para (re)contar a história de jovens de diferentes culturas que se unem em nome do amor à música.
Em oito episódios, a série apresenta um novo ano na Elite Way School, que, após um rebranding, se tornou apenas EWS. Logo somos apresentados aos novos protagonistas, Jana (Azul Guaita Bracamontes), uma jovem que faz sucesso na internet; Esteban (Sergio Mayer Mori), um talentoso bolsista com interesses que vão além da música; Luka (Franco Masini), filho de Mia Colucci, da série original; o “punk” colombiano Dixon (Jeronimo Cantillo), a americana M.J. (Andrea Chaparro); e a baterista Andi (Lizeth Selene). Além deles, a trama também envolve a brasileira Emilia (Giovanna Grigio) e o vilão Sebastian Langarica (Alexandro Puente), filho de um influente político.
A primeira temporada do novo “Rebelde” é o que se convencionou chamar de “soft-reboot”, ou seja, não é necessariamente um recomeço, reconhece tudo o que aconteceu na novela e tem até certa reverência por ela, funcionando quase como uma continuação. Ainda assim, a série cumpre o papel de reapresentar aquele universo para espectadores que não precisam necessariamente ter assistido ao material original.
Série
Série "Rebelde" reapresenta e continua história da novela mexicana de mesmo nome Crédito: Mayra Ortiz/Netflix
A nova série recicla diversas dinâmicas e vários arcos da novela original, inclusive entre os protagonistas, que precisam superar suas diferenças para ter sucesso na Batalha das Bandas. Toda a trama do pai de Miguel, por exemplo, parece ter se transformado no arco da mãe desaparecida de Esteban.
É interessante como “Rebelde” está sempre em movimento, criando arcos e encerrando-os pouco depois, garantindo agilidade à série e possibilitando também novas dinâmicas e histórias para que o espectador não se sinta enrolado. Os primeiros episódios já concluem histórias que poderiam ser enroladas por uma temporada inteira. Assim, além de apresentar os novos “rebeldes”, a temporada introduz a misteriosa Seita e desenvolve diversas tramas amorosas.
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Série "Rebelde" reapresenta e continua história da novela mexicana de mesmo nome Crédito: Mayra Ortiz/Netflix
“Rebelde” precisa ser consumido como o que é, uma série musical adolescente. O texto atualiza sua estética e diversos contextos, se esforçando para trazer temas contemporâneos à pauta. Sua execução, vale ressaltar, reflete seu público alvo, com alguns conflitos bobos ou introduzidos apenas como desculpa para algum aprendizado - são todos adolescentes, afinal. A narrativa traz diversas questões típicas da idade, como a construção da identidade e o aprendizado com os diferentes, mas tem nas expectativas que recaem sobre cada personagem seu grande foco de desenvolvimento.
A série apresenta bons números musicais tanto com homenagens aos rebeldes originais quanto com novas canções. Há um problema recorrente na edição dos músicos, principalmente de Andi tocando bateria, com várias tomadas em que o som não reflete o que a jovem toca, mas são detalhes que passam despercebidos pela maioria.
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Série "Rebelde" recria história da novela mexicana de mesmo nome Crédito: Mayra Ortiz/Netflix
No terceiro ato da temporada, o texto até toma algumas decisões mais ousadas e capazes de surpreender, criando um ótimo gancho para uma inevitável segunda leva de episódios. A série também usa a maior "liberdade" da Netflix para algumas cenas mais sensuais nada explícitas, sempre se mantendo no tom das séries originais da plataforma de streaming, mas condizentes com as produções atuais do gênero.
“Rebelde” obviamente não é uma série para todos; adultos que assistiam à novela nos anos 2000 provavelmente gostarão pela nostalgia, mas série da Netflix é feita para os jovens em busca de um lugar no mundo e principalmente de um sonho. A série fala de união, lealdade, amizade e música de maneira sempre simples, mas eficaz. “Rebelde” é um produto bem embalado, cheio de latinidade e música, uma história que mistura a expertise mexicana em novelas com o que a Netflix faz muito bem. O resultado é uma narrativa enxuta, de fácil consumo e com um apelo pop gigantesco.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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