Em 27 de julho de 2018, Mirela Morgante e Gustavo Senna se aventuraram por uma trilha para chegar ao pastinho da Pedra dos Dois Olhos, em Fradinhos, Vitória, para filmar o tão alardeado eclipse total da lua. Tudo deu errado no caminho e eles nem sequer conseguiram chegar lá. A incursão foi mal-sucedida, mas dali nasceu a ideia para "Lua de Sangue", curta com pré-lançamento hoje, às 19h, no Sesc Glória, e também no YouTube, plataforma em que o filme ficará disponível entre 19h e 21h deste sábado (30). Passada a oportunidade, o filme só voltará a ser exibido em 2022, quando pretende correr o circuito de festivais.
Com 19 minutos de duração, "Lua de Sangue" tem início como esse filme de "found footage", alternando entre formatos de tela, do vertical do celular ao horizontal das câmeras, com pouca iluminação e um clima tenso. Logo, porém, o filme ganha novas camadas quando a protagonista Mel começa a ter vislumbres de um relacionamento tóxico, com seu parceiro mudando de comportamento e a tratando com violência e desprezo. O espectador fica meio sem saber o que acontece, mas a mensagem é clara. "Tem uma conexão com a questão da violência contra as mulheres e as dificuldades das vítimas perceberem que estão sendo agredidas", conta Mirela, uma das diretoras do filme.
Confira abaixo o rápido papo que a coluna bateu com a diretora do filme. O filme poderá ser assistido no vídeo acima. Quem quiser comparecer ao Sesc Glória deve preencher este formulário.
Pela foto no fim dos créditos, algo parecido rolou com você. Foi ali, dentro da mata, que surgiu a ideia?
Foi sim. Em 2018 eu e o Gustavo fomos filmar o eclipse total da lua no pastinho da Pedra dos Dois Olhos, em Fradinhos. Aconteceu uma grande confusão e a gente não conseguiu chegar lá. Então, tivemos a ideia de fazer um filme baseado na experiência que tivemos, que foi muito louca.
As coisas param de fazer sentido lógico em um momento, a Mel começa a ter alucinações com diálogos de um relacionamento tóxico. São medos, são lembranças, são o que o espectador quiser? Como você enxerga isso e como esse olhar feminino foi construído no filme?
A proposta foi justamente abordar as problemáticas que envolvem as questões de gênero, colocando a mulher como protagonista e vivenciando uma relação tóxica que nem ela mesma sabe que é. Tem uma conexão com a questão da violência contra as mulheres e as dificuldades das vítimas perceberem que estão sendo agredidas. A ideia é que o espectador perceba isso e torça para que também a protagonista perceba a relação abusiva e queira sair daquela situação.
A influência dos found footage é bem clara. Na aventura que inspirou o filme, a ideia era registrar a Lua de Sangue também?
Justamente! Isso aconteceu em 2018, quando entramos na floresta para filmar o eclipse, carregando um monte de equipamento, sem planejar muito bem, e acabamos nos perdendo numa trilha desconhecida.
Você disse que planeja lançar o filmes mesmo no ano que vem. Quais os planos pra ele?
A ideia é que o filme circule pelos festivais de cinema nacionais e internacionais a partir do ano que vem, para que um público amplo possa conhecê-lo. Depois, vamos procurar vender para os canais de VoD (vídeo sob demanda) e fazer com que o público em geral conheça o cinema capixaba.