Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crítica

"Warrior Nun", da Netflix, é boa diversão cheia de reviravoltas

Lançada pela Netflix, "Warrior Nun" adapta para as telas quadrinhos dos anos 1990 sobre um grupo de freiras guerreiras que travam uma eterna luta entre o bem e o mal

Publicado em 07 de Julho de 2020 às 13:28

Públicado em 

07 jul 2020 às 13:28
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série
Série "Warrior Nun", da Netflix Crédito: Netflix
“Warrior Nun”, da Netflix, é uma série interessante, não necessariamente num bom sentido. Me acompanhe. Baseada nos quadrinhos “Warrior Nun Areala”, de Ben Dunn, a série opta por expandir o universo da HQ logo de cara, apresentando uma nova protagonista, Ava (Alba Baptista), em uma espécie de passagem de bastão - sai a irmã Shannon e entra Ava.
A escolha pela troca é compreensível. Com Ava, a narrativa ganha a novata, o olhar de quem, como o espectador, desconhece tudo o que é apresentado em tela. Assim, vamos aos poucos conhecendo e Ordem da Espada Cruciforme, suas freiras guerreiras, motivações e questionamentos. Entendemos que elas protegem o mundo dos demônios, mas não entendemos ao certo que demônios seriam esses. O público, assim como Ava, fica um pouco perdido no meio de uma batalha entre Céu e Inferno que já dura séculos.
Em contrapartida, a mudança deixa a série mais séria. Shannon, nos quadrinhos, tem um braço robótico e uma poderosa armadura que a transforma na freira guerreira Areala, além de uma postura e um visual sexy demais para uma freira, coisas dos anos 1990. Ava, por sua vez, é tudo o que a Shannon dos quadrinhos não é. Pra início de conversa ela não é uma freira, mas uma jovem órfã tetraplégica morta que, por acaso ou não, recebe a auréola do anjo Adriel, o artefato mais precioso da Ordem da Espada Cruciforme. Ela se levanta e sai andando pela bela região da Andaluzia, na Espanha, e se torna alvo de busca tanto das freiras quanto dos demoníacos inimigos.
Essa dinâmica oferece à série uma jornada de descobertas. É interessante ver Ava descobrindo o mundo, fazendo amizades e tentando ser uma jovem normal. Acontece que “Warrior Nun” é uma jornada do herói de estrutura clássica, então, mesmo relutante, a jovem acaba cedendo ao chamado do destino para enfrentar o mal que ameaça a humanidade. É justamente nesse ponto, também, que a série tropeça.
Série
Série "Warrior Nun", da Netflix Crédito: Netflix
Durante 10 episódios de cerca de 45 minutos, há muita conversa e pouca ação. O problema é que essas conversas raramente levam a algum lugar - as possibilidades mais interessantes levantadas pelo roteiro são deixadas para uma segunda temporada (ainda não confirmada). A série levanta uma discussão sobre limites éticos dos avanços tecnológicos e aborda o embate entre ciência e religião, mas não avança. Tudo bem que uma discussão aprofundada não era esperada em uma série sobre freiras guerreiras, mas as lutas e a diversão prometidas também não dão as caras com a frequência desejada.
Há alguns ensaios em sequências protagonizadas pela irmã Beatrice (Kristina Tonteri-Young) e em um ou outro momento com Lilith (Lorena Andrea) e Shotgun Mary (Toya Turner), mas todos os momentos se resolvem rapidamente, o que é uma pena, pois, ao contrário do que acontece em “Hanna”, os realizadores de “Warrior Nun” sabem filmar bem as lutas e suas boas coreografias.
Série
Série "Warrior Nun", da Netflix Crédito: Netflix
“Warrior Nun” ainda faz uma escolha covarde de deixar que tudo se resolva nos dois episódios finais, quando a tal “jornada do herói” finalmente engrena após oito episódios de idas e vindas nem sempre necessárias. Dessa forma, quando a grande e até bem interessante trama finalmente se revela, resta pouco tempo para trabalhá-la, criando um ótimo gancho para uma segunda leva de episódios, mas deixando no espectador a sensação de que foi enrolado por metade de uma temporada.
Ao fim, a série é razoável - tem uma boa história, um elenco interessante, localidades incríveis na Espanha e uma mitologia aparentemente ampla. A escolha de praticamente dar sequência aos quadrinhos ao invés de adaptá-los funciona e exclui da série toda a pegada noventista ultrapassada (estética e narrativamente) das revistas. O único problema de “Warrior Nun” é se levar a sério demais e, por vezes, esquecer todo o absurdo de sua premissa e a diversão que ela poderia proporcionar.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Sede do STF
Os ministros do STF e os abusos de poder
Dino Fonseca e Patrick Ribeiro
Dino Fonseca canta clássico do rock e dos ano 80 em Vitória; veja fotos
Pesquisa realizada pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) mostra que beneficiários do Auxílio Brasil pretende voltar a comprar carne e leite
Fim da escala 6x1 pode ser realidade no futuro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados