A ministra Damares Alves teve a coragem de dizer dia desses, em um evento oficial, que “nós precisávamos de um presidente corajoso, macho, pois chegou, acabou, nós vamos enfrentar os agressores”. Segundo ela, o governo enfrentará a violência contra mulher, criança e idoso e, a partir de agora, “acabou”.
Não é novidade esse discurso dela de dizer que “acabou a violência”. Esse papo furado vem desde o início do governo, mas na prática, sabemos que as coisas são muito diferentes quando se trata de políticas públicas construídas ou continuadas pelo atual governo federal.
Eu acho Damares bem criativa e também com uma imaginação muito fértil pra criar uma realidade paralela, bastante diferente da que vive a população brasileira em sua maioria. Não sei ao certo o que ela entende como ser “macho” como característica fundamental para enfrentar as violências contra as pessoas mais vulnerabilizadas. O que eu sei é que, para nós mulheres, o que menos precisamos é de ter homens machos para lidar com as violências que sofremos diariamente.
É essa ideia de homem macho que reforça a cultura patriarcal que viola nossos corpos, nossa liberdade e nossa vida. É essa ideia de virilidade e macheza, se é que essa palavra existe oficialmente, que alimenta uma masculinidade tóxica que gera reflexos terríveis no cenário cada vez mais alarmante de violências psicológicas e físicas nas ruas, no transporte coletivo, no trabalho e dentro das casas para as mulheres.
Se Bolsonaro fosse mesmo um presidente corajoso como exaltou a ministra Damares, o Brasil não teria caído 5 posições no ranking de desenvolvimento humano da ONU (e olha que nem entraram os dados referentes à pandemia), não teria praticado falsidade ideológica com nomes de cientistas e pesquisadores para apresentar um atrasadíssimo plano de vacinação para a Covid-19, não seria um presidente que fugiu de debates quando era candidato e que hoje ataca jornalistas e qualquer pessoa que o questiona com relação aos seus deveres funcionais.
Damares, tudo que a gente não precisa é de um presidente macho. Precisamos de um presidente. E ponto final.