Há dois anos, milhares de mulheres brasileiras se encontraram virtualmente e foram às ruas para dizer um sonoro #EleNão. Se juntaram a nós que somos mulheres declaradamente feministas vários homens, várias crianças, famílias inteiras que acreditavam não ser possível pensar um futuro com Jair Bolsonaro na Presidência. Infelizmente, esse futuro se fez presente e cá estamos nós, sofrendo com as incontáveis atrocidades diárias do presidente que parece ter ódio de nós mulheres.
Embora as manifestações de setembro de 2018 não tenham impedido Jair Bolsonaro de chegar à Presidência da República, elas criaram um sentimento muito positivo na população. Nós mulheres estamos hoje, na primeira eleição pós ascensão Ur-Fascista, com o recorde de candidaturas. São candidatas a prefeitas e vereadoras espalhadas por todo o Brasil que estão, em verdade, muito unidas.
De setembro de 2018 pra cá, surgiram movimentos de mulheres que não vão aceitar que, o que já foi conquistado, seja mais desmantelado como vem tentando fazer a todo custo o atual governo. Também estamos com o recorde de candidaturas negras. E eu tenho certeza que os movimentos de mulheres e os movimentos negros irão se unir porque continuam com o mesmo objetivo: combater as violências cotidianas que impedem que a gente viva uma vida livre de violências.
Rogo que os movimentos de mulheres, lgbtq e negro entendam que os espaços políticos de decisão foram e continuam até o momento cheios de homens brancos. São esses homens que se beneficiam quando veem movimentos de luta por igualdade e de respeito no embate. Sejamos espertas e espertos.
A luta de mulheres que ganhou essa força em 2018 é contínua e está cada vez mais forte. A luta por igualdade e dignidade não é individual. Sejamos políticos. Sejamos coletivos. E que mais mulheres, negros e lgbt estejam na política. Que essa campanha eleitoral que teve início no último domingo seja de união e respeito. Que o #EleNão continue ecoando por todas e todos.