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Economia

Será que em 2022 vamos apenas confirmar a redução das expectativas no Brasil?

Uma economia que pratica taxas básicas de juros bem acima do seu crescimento caracteriza-se por estruturar desigualdades sociais extremas

Publicado em 07 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 fev 2022 às 02:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

Uma matéria publicada no jornal O Globo recentemente, no dia 27 de janeiro, assinada por Bruno Rosa, Vitor da Costa e Amanda Scatolini, trouxe a alarmante informação de que os brasileiros já devem até mesmo o básico. De acordo com a matéria, “o aumento da inflação atingiu em cheio o orçamento do brasileiro e fez com que até despesas básicas, como luz, água e telefone, deixassem de ser pagas”.
Citando dados da Serasa para o ano de 2021, a matéria revelou que houve um aumento do número de devedores em 2,6 milhões em relação ao ano anterior, um número que chegou em 63,9 milhões de devedores. As contas básicas responderam por 23,9% das dívidas, só ficando atrás de gastos relacionados aos bancos e cartões de crédito.
As famílias de rendas mais baixas são aquelas que mais estão sofrendo por conta da inflação e da situação precária do mercado de trabalho. Estar inadimplente em uma conta básica gera a perspectiva de corte desse serviço em qualquer momento. O peso da variação dos preços administrados na projeção da inflação oficial merece reflexão do ponto de vista de um mercado de trabalho precário e do avanço da insegurança alimentar.
Uma economia que pratica taxas básicas de juros bem acima do seu crescimento caracteriza-se por estruturar desigualdades sociais extremas. A contínua elevação da taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil é incapaz de atuar contra os estresses nas cadeias globais de suprimentos ou contra o poder de mercado de oligopólios internacionais.
Pesquisa Ipespe, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06408/2022, mostrou que 65% dos brasileiros acreditam que a economia está no caminho errado, 9% não souberam responder e 26% consideraram que estamos no caminho certo. A pandemia não terminou e ainda há a necessidade de cautela e cuidados. Nesse sentido, uma efetiva recuperação econômica não se realizará apenas a partir do restabelecimento da confiança dos agentes econômicos, do topo da concentração de rendas e patrimônios.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, revisou projeções de crescimento da economia global. Para o caso brasileiro, o FMI revisou a projeção de crescimento para baixo, de 1,5% para 0,3% em 2022. Outras instituições, nacionais e estrangeiras, convergem para o diagnóstico de uma economia estagnada ou em recessão no Brasil, enquanto a economia mundial deverá crescer 4,4% e as economias emergentes e em desenvolvimento deverão avançar 4,8% em 2022.
Em artigo de opinião publicado no blog do FMI, no dia 25 de janeiro, a economista Gita Gopinath apontou para uma recuperação global conturbada. Ela citou a rápida propagação da variante Ômicron e as rupturas no abastecimento que continuam a afetar as atividades econômicas e estão contribuindo para o aumento da inflação, de alimentos e energia, por exemplo.
Segundo ponderou Gopinath, subdiretora-geral do FMI, “revisamos em alta nossas projeções de inflação para 2022 tanto para as economias avançadas como para as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento”. Para completar, ela afirmou que a quantidade de pessoas em situação de pobreza extrema “representa um retrocesso de vários anos na redução da pobreza”.
As projeções estão sujeitas a grandes incertezas, pois o surgimento de variantes mais letais poderia prolongar a crise vigente. Conforme afirmou Gopinath, “a estratégia de Covid zero da China poderia exacerbar as rupturas globais no abastecimento” e “aumentos inesperados da inflação nos Estados Unidos poderiam instigar um aperto monetário agressivo do Federal Reserve e condições financeiras globais bem mais restritivas”.
O Brasil iniciou o ano imerso em incertezas de diversas dimensões. Até que ponto a pandemia ainda em curso afetará o desempenho da economia e a saúde coletiva? Os sistemas de saúde, públicos e privados, suportarão novas ondas da pandemia? O que podemos esperar em termos de debates públicos programáticos para o processo eleitoral deste ano? Será que iremos apenas confirmar a redução das expectativas no Brasil?

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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