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Água e esgoto

ES rumo à universalização do saneamento com impacto bilionário e avanço social

Além do período de universalização até 2040, o legado para as futuras gerações é ainda mais expressivo. Após 2040, estima-se que os ganhos de renda total serão de R$ 14,8 bilhões

Publicado em 05 de Julho de 2025 às 04:30

Públicado em 

05 jul 2025 às 04:30
Sávio Bertochi Caçador

Colunista

Sávio Bertochi Caçador

saviobcacador@outlook.com

É com grande otimismo que observamos o progresso do Espírito Santo em um desafio que há décadas assombra o Brasil: a universalização do saneamento básico. A precariedade do saneamento é um gargalo histórico em nosso país, e o Espírito Santo, como grande parte do território nacional, ainda enfrenta obstáculos para garantir acesso à água tratada e a serviços de esgotamento sanitário a todos os seus habitantes.
Dados de 2021 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) revelam que, no Espírito Santo, cerca de 84,7% da população tinha acesso à água potável, e 60,5% era atendida com coleta de esgoto. No entanto, menos da metade do esgoto gerado (44,5%) recebia tratamento, o que equivale ao despejo diário de 123 piscinas olímpicas de esgoto não tratado no meio ambiente.
Além disso, 38,8% da água potável produzida era perdida antes de chegar às residências. Em nível nacional, a situação é ainda mais crítica, com 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável e mais de 93 milhões sem coleta de esgoto, e apenas 51,2% do esgoto gerado sendo tratado.
Contudo, o cenário está mudando no Espírito Santo. O estudo "Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento no Espírito Santo", do Instituto Trata Brasil em parceria com a EX Ante Consultoria Econômica, aponta um futuro promissor. A análise abrange o período até 2040, prazo limite estabelecido pelo Novo Marco Regulatório do setor para a universalização do saneamento.
Os investimentos realizados e projetados para o Espírito Santo visam não apenas cumprir essa meta, mas também gerar um impacto socioeconômico significativo. Entre 2023 e 2040, estima-se que os benefícios totais com a universalização do saneamento alcançarão a impressionante cifra de R$ 24,3 bilhões. Desse montante, R$ 19,1 bilhões serão de benefícios diretos, como a renda gerada pelos investimentos e atividades de saneamento, e R$ 5,2 bilhões provenientes da redução de perdas associadas a externalidades.
A universalização do saneamento no Espírito Santo não se traduz apenas em números, mas em impactos tangíveis na vida dos capixabas:
  • Redução dos custos com a saúde: a melhoria das condições de saúde da população, com a diminuição de doenças relacionadas à falta de saneamento, deve gerar uma economia de cerca de R$ 396 milhões entre 2023 e 2040.
  • Aumento da produtividade do trabalho: o acesso a serviços de saneamento de qualidade impulsiona a produtividade, resultando em um ganho de renda do trabalho de R$ 3,8 bilhões no mesmo período.
  • Valorização imobiliária: proprietários de imóveis verão seus bens valorizados, com um ganho estimado de R$ 276,3 milhões até 2040.
  • Renda do turismo:  a despoluição de rios e córregos e a oferta universal de água tratada são pré-condições para o pleno desenvolvimento do turismo, projetando ganhos de R$ 704,2 milhões no período.
  • Geração de empregos: a fase de expansão das redes de saneamento criará um movimento crescente de geração de emprego e renda, estabilizando em um patamar de 23 mil postos de trabalho na região.
A relação custo-benefício é notável: para cada R$ 1,00 investido em saneamento, o Espírito Santo deve obter ganhos sociais de R$ 2,50. Com custos sociais estimados em R$ 14 bilhões, os benefícios excederão os custos em R$ 10,3 bilhões, o que demonstra um balanço social extremamente positivo para o Estado.
Estação de tratamento de esgoto Mulembá, Cesan
Estação de tratamento de esgoto Mulembá, Cesan Crédito: Ricardo Medeiros
Além do período de universalização até 2040, o legado para as futuras gerações é ainda mais expressivo. Após 2040, estima-se que os ganhos de renda total serão de R$ 14,8 bilhões, e os benefícios totais alcançarão R$ 20,1 bilhões, com um saldo de perpetuidade de R$ 9,8 bilhões em ganhos de bem-estar.
Como ressaltado por Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, "universalizar o saneamento básico significa a promoção de saúde, de qualidade de vida, educação, aumento da produtividade do trabalho, fomento ao turismo, ou seja, inúmeros ganhos socioeconômicos para uma localidade".
O Espírito Santo está no caminho certo para transformar um desafio histórico em um legado de prosperidade e bem-estar para todos os seus cidadãos. É um movimento que merece ser elogiado e acompanhado de perto, pois a saúde e o desenvolvimento de uma nação estão intrinsecamente ligados à qualidade de seu saneamento básico.

Sávio Bertochi Caçador

E economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

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