Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Mobilidade

O deslocamento diário do trabalhador: um retrato da mobilidade urbana

O tempo gasto no trajeto casa-trabalho revela os desafios da mobilidade nas grandes cidades e a urgência de políticas que aproximem moradia e emprego

Publicado em 06 de Novembro de 2025 às 04:00

Públicado em 

06 nov 2025 às 04:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

De acordo com dados do Censo 2022, divulgados dias atrás pelo IBGE, quase 70% dos trabalhadores brasileiros levam até meia hora de casa ao local de trabalho. Enquanto isso, cerca de 20% gastam entre 30 minutos e uma hora no trajeto diário para o trabalho. E há inclusive aqueles (10% dos trabalhadores) cujo tempo de viagem varia entre uma e duas horas, além de uma parcela menor (1%, mas que corresponde a 1,3 milhão de pessoas) que perdem até mais de duas horas de deslocamento.
Não é fácil viver gastando tanto tempo cotidianamente apenas para chegar ao trabalho, afinal trata-se de horas que vão embora da vida das pessoas e que poderiam ser desfrutadas de outra maneira. Chega-se cansado para trabalhar e, ao final do dia, esgotado e mal-humorado em casa, com vontade apenas de recuperar as energias para a labuta do dia seguinte.
A pesquisa apresenta dados de todas as partes do país, revelando aquilo que muitos já sabem: em lugares pouco adensados a mobilidade se dá de modo rápido e tranquilo, ao passo de que lentidão e estresse definem a mobilidade de quem vive em lugares com alta concentração de gente, como são as grandes cidades, em especial as regiões metropolitanas.
Ônibus do sistema Transcol
Ônibus do Sistema Transcol Crédito: Divulgação | Ceturb-ES
A maioria da população mundial não apenas é urbana, mas, principalmente, vive em grandes conglomerados metropolitanos, e isso não é diferente no Brasil.
São muitas as razões das pessoas preferirem viver nas grandes cidades, cheias de gente e de problemas. Mas também cheias de oportunidades, de cultura e conhecimento, de atrativos de lazer e ofertas de trabalho, com mais recursos médicos e hospitalares, ao contrário da vida no ambiente rural, bastante calma, dando a sensação que ali o tempo não passa. Contudo, é justamente a intensidade da vida metropolitana que atrai tamanha população e que ocupa seus espaços, tanto para residir como para trabalhar, num círculo vicioso que a faz crescer cada vez mais.
O tempo de viagem gasto nos dias laborais está diretamente relacionado com a distância a ser percorrida entre a casa e o trabalho; quanto mais longe, mais tempo se gasta no deslocamento. Mas é certo que a qualidade do sistema de transporte tem participação fundamental nesta matemática.
Para transportar uma grande quantidade de trabalhadores é preciso um sistema de transporte de massa de alta capacidade (como são os trens e metrôs, por exemplo, que se movem sobre trilhos) e que seja associado a modais complementares de média capacidade (normalmente, os ônibus, sistema sobre pneus e que compartilham espaço, isto é, as vias, com outros veículos, como são os automóveis particulares e de aplicativos, os táxis e as motos).
Não existe solução mágica. Poder trabalhar perto da moradia é um privilégio que a maioria da população não possui, principalmente a faixa de renda com menor poder aquisitivo.

E o que é possível fazer para melhorar?

Quando se fala em mobilidade urbana, é comum esquecer o papel que o zoneamento urbano, atribuição municipal através do plano diretor, tem na distribuição demográfica das cidades. Um bom plano diretor deve levar em consideração as áreas destinadas às moradias e a localização das diversas atividades econômicas do seu território, visando equilibrar uma variedade de aspectos, inclusive o do deslocamento da sua população.
Junto vem a qualidade do sistema viário, isto é, como se organizam as vias da cidade. Avenidas preferenciais para o tráfego pesado e vias locais para o trânsito mais restrito, que garanta capilaridade, um bom escoamento de veículos e segurança tanto para motoristas como para pedestres e ciclistas.
E, claro, uma pavimentação adequada ao fluxo projetado. Em paralelo, uma boa sinalização viária vertical (semáforos, placas indicativas) e horizontal (faixas, setas, etc.). E tudo isso precisa estar sempre com manutenção (preventiva e corretiva) e uma fiscalização atuante.
Voltando à questão do sistema de transporte coletivo, e especificamente falando da Grande Vitória, temos o Transcol, com os ônibus sobre pneus e terminais de transbordo espalhados pela região metropolitana. Criado na década de 1980 e administrado pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb), o Transcol vem tentando se atualizar, buscando oferecer um transporte cada vez melhor para seus usuários, apesar do enorme desafio que a realidade propõe.
Em todo o mundo o transporte público coletivo é subsidiado, o que significa que ele não é autossuficiente economicamente. Como são recursos públicos oriundos dos impostos, todos pagamos pelo transporte, mesmo que não façamos uso do Transcol.
Para piorar, por diversas razões, o número de passageiros vem diminuindo ao longo dos anos. Viagens por transporte por aplicativo, facilidade na compra de motocicletas, aumento da frota de bicicletas elétricas, trabalho remoto, e até mesmo questões específicas como é o problema da segurança nos ônibus, são alguns dos itens que estão retirando passageiros, ainda que eles permaneçam lotados em diversas linhas e em muitos horários.
A implantação de faixas exclusivas – diversas vezes prometidas –, a substituição dos ônibus atuais pelas versões elétricas e com piso rebaixado (já estamos vendo alguns rodando pelas ruas), pontualidade, segurança, enfim, tudo que puder ser feito para melhorar o transporte público ajudará nesse jogo de xadrez que é a mobilidade do trabalhador capixaba.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Cantor Roberto Carlos comemora os 85 anos em show em Cachoeiro de Itapemirim
Roberto Carlos emociona fãs em show de aniversário em Cachoeiro de Itapemirim
Gilmara Dias é de Mimoso do Sul e tem 58 anos
Fãs colecionam histórias com Roberto Carlos e celebram reencontro em Cachoeiro
Cantor Roberto Carlos desembarcou no Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim para show na cidade e para homenagear o pai dele, que recebeu placa no terminal de passageiros
Roberto Carlos desembarca em Cachoeiro para show histórico: "Dá frio na barriga"

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados