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Sem Michelle e com Milei, Flávio oficializa candidatura e promete que Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em 2027

Evento exibiu vídeo com o ex-presidente Jair Bolsonaro que afirma ter sido feito por inteligência artificial. Michelle envia vídeo em que "abençoa" a candidatura

Publicado em 25 de Julho de 2026 às 16:35

BBC News Brasil

Publicado em 

25 jul 2026 às 16:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images
Prometendo que o ex-presidente Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em 2027, Flávio Bolsonaro oficializou neste sábado (25/7) sua candidatura à Presidência em um evento em São Paulo, longe do seu reduto, o Rio de Janeiro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez as pazes publicamente com o enteado há dois dias, após uma briga pública nas redes sociais, não esteve presente. No lugar, mandou um vídeo exaltando o marido e "abençoando" a candidatura de Flávio, nome mencionado por ela uma única vez.
"Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura", disse ela, após dizer que o marido é "o grande líder" e se justificar pela ausência. "O meu galego não pode estar com vocês, eu também não posso porque estou em casa cuidando dele."
Esperado para o evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, subiu ao palco ao som de rock, fez um discurso em espanhol que durou quase meia hora, levando parte da militância que ocupava um auditório no estádio do Pacaembu a ir embora.
Em um discurso inflamado, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.
Após enaltecer suas políticas econômicas na Argentina, criticou o socialismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as políticas sociais.
"Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes", afirmou.
Milei, que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina, associou a candidatura de Flávio a uma "transformação política em curso" na região. Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.
Repetindo o feito de Michelle em 2022, Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, fez um discurso acenando às mulheres, onde está a maior rejeição a Flávio, segundo as pesquisas. E passou o microfone ao marido.
Já havia passado das 13h quando Flávio finalmente iniciou seu discurso para uma plateia já pela metade.
Evocou Deus para ter força e coragem para "resgatar o Brasil", agradeceu à mulher, que estava de um lado, à mãe, Rogéria Bolsonaro, do outro, e disse que estava ali para "honrar todas as mães do Brasil".
Agradeceu a Michelle pelo vídeo, agradeceu ao pai e chorou. "Deus queira que nunca vocês tenham um pai perseguido como ele está sendo", disse.
Criticou o Supremo, porém com um discurso mais brando que Milei, mencionando "abusos por parte do Judiciário brasileiro", que estaria, segundo ele, calando parte da população.
Batendo no peito, mencionou o colete à prova de balas que usava debaixo da camisa. Lembrou que foi "escolhido" pelo pai e prometeu que "em janeiro de 2027 Jair Bolsonaro vai subir a rampa do Planalto".
Imagem BBC Brasil
Um vídeo de Jair Bolsonaro, que teria sido feito por inteligência artificial, foi exibido no evento Crédito: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images
O evento também contou com uma participação virtual de Jair Bolsonaro, que apareceu em um vídeo afirmando ser aquela uma imagem criada por inteligência artificial.
"Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país", disse.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, país com o qual o bolsonarismo tem afinidades, e para onde Flávio viajou como parte da pré-campanha, também enviou um breve vídeo de apoio ao filho mais velho do ex-presidente.
Os irmãos, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde o ano passado, e o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), também enviaram depoimentos por vídeo. Apenas o filho mais novo, Jair Renan (PL-SC), estava presente.
Com tom de culto religioso, o senador Rogério Marinho (PL-RN) fez o papel de apresentador da convenção do PL. Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, abriu o evento, dizendo ter orgulho de estar "há 40 anos no mesmo partido".
Em meio a dificuldades em conseguir apoio político por meio de alianças para a campanha de Flávio, também dividiram o palco e o microfone o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Nunes falou em "esquerda imunda", e Tarcísio, que é pré-candidato à reeleição, focou na economia e na violência.
"Olha o que ele (MIlei) está fazendo lá: ajustes duros", afirmou ele. "O país voltou a crescer. Isso foi feito lá e pode ser feito aqui."
E prometeu "trabalhar muito" para eleger "o maior presidente da história".
Imagem BBC Brasil
Flávio levou a mulher, Fernanda, que discursou em aceno às mulheres, eleitorado que mais o rejeita, segundo as pesquisas Crédito: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images
Tanto o MDB quanto o Republicanos, ambos do Centrão, ainda não oficializaram seus apoios nesta eleição.
O partido de Tarcísio deve decidir no dia 1o de agosto se apoiará Flávio ou se vai liberar seus diretórios estaduais para realizarem suas alianças locais. Questionado pela BBC News Brasil se sua sigla se juntará ao PL, Tarcísio se resumiu a dizer "estamos trabalhando para isso".
Na semana passada, a federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e Progressistas, decidiu manter-se neutra em relação ao apoio a Flávio, liberando os diretórios estaduais para definirem seus posicionamentos. Foi um revés das siglas que fazem parte da espinha dorsal do Centrão.
Caso o Republicanos siga pelo mesmo caminho, a candidatura de Flávio deve ser feita com uma chapa "puro sangue", ou seja, sem nenhum partido coligado. Cabe ao partido de Valdemar Costa Neto encontrar, internamente, um candidato a vice-presidente, tarefa que o PL vem tentando há meses sem êxito.

Momento de obstáculos

O lançamento oficial da candidatura de Flávio ocorre em um momento de grandes obstáculos para ele.
Além da briga pública com Michelle, aparentemente controlada neste momento, e da ausência de uma coligação, novas notícias voltaram a ligar seu nome ao escândalo do Banco Master.
Nesta semana, a imprensa publicou que seu escritório de advocacia emitiu três notas fiscais no valor total de R$ 1,5 milhão em favor de empresas supostamente usadas por Daniel Vorcaro para movimentar dinheiro do Banco Master, duas delas canceladas no mesmo dia.
Em nota, o senador afirmou que não quis prestar serviços para a empresa e que por isso cancelou as notas.
O pré-candidato foi associado pela primeira vez a Vorcaro quando áudios em que ele aparece pedindo dinheiro ao banqueiro para financiar a cinebiografia de seu pai tornaram-se públicos. Flávio nega qualquer irregularidade.
Na quinta (24/07), o ministro do STF André Mendonça autorizou que a Polícia Federal investigue se o dinheiro foi usado para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio também foi fotografado com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, suspeito de integrar uma "milícia pessoal" de Vorcaro e que se matou na prisão. O senador primeiro disse que não conhecia Sicário e que muitas pessoas pedem para tirar foto com ele. Depois afirmou que a imagem foi fabricada.
Apesar da sucessão de crises, Flávio Bolsonaro segue competitivo. Se o segundo turno fosse hoje, ele teria 42% das intenções de voto ante 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, atualizado constantemente com os últimos levantamentos.

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