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Futuro

A geração beta já está nascendo: qual o nosso compromisso com ela?

Essa mudança de era nos obriga a refletir o compromisso que nossa geração precisa ter com a preservação do meio ambiente, quando muitos ricos preferem o fim do planeta ao fim de seus privilégios

Publicado em 06 de Janeiro de 2025 às 11:22

Públicado em 

06 jan 2025 às 11:22
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

Em todo o mundo, a política permanece impotente diante dos desafios deste século, entre eles, o maior: preservar o planeta Terra para as gerações vindouras.
Essas gerações já estão surgindo, os betas. De acordo com o estudioso Mark McCrindle, os bebês que nascerem a partir de 1º de janeiro de 2025 farão parte desse grupo. Até 2035, a geração beta deverá representar 16% da população mundial e será responsável por 19% da força de trabalho global. Essa geração será a primeira a entrar no século 22, ou seja, chegará viva além do ano de 2100.
De acordo com as estimativas, essa geração viverá em um mundo completamente diferente do nosso. Segundo McCrindle, a geração beta viverá em uma realidade na qual o físico e o digital estarão completamente integrados. A Inteligência Artificial e a automação farão parte do cotidiano deles.
Também enfrentarão desafios importantes relacionados às mudanças climáticas e à urbanização acelerada, no entanto, a sustentabilidade não será uma opção para eles, mas uma obrigação. Mas a vantagem, segundo o especialista, é que essa geração saberá lidar bem com isso, por necessidade.
Essa mudança de era nos obriga a refletir o compromisso que nossa geração precisa ter com a preservação do meio ambiente, quando muitos ricos preferem o fim do planeta ao fim de seus privilégios. E, ainda, quais as estratégias que são necessárias para vencer essa aporia.
O economista Ladislau Dowbor sustenta que os avanços técnicos das últimas décadas permitiriam assegurar vida digna a todos os seres humanos, e que a riqueza produzida coletivamente equivale a 3,3 mil dólares por mês, R$ 20 mil por família de quatro pessoas. A grande questão é a distribuição, que produz desigualdade.
Onde há abundância, não há privilégio. É óbvio que o Brasil será um país mais justo e feliz, se o Estado destinar ao SUS, à escola pública de excelência e à despoluição dos rios urbanos os R$ 800 bi que transfere todos os anos aos rentistas. Mas esse tipo de medida deixa meia dúzia de pessoas “nervosas” e o “mercado” a ponto de ter uma síncope.
Mark Fisher tem uma frase conhecida em que sentencia que “parece mais fácil acreditar no fim do mundo que no fim do capitalismo”. E podemos perceber isso quando os valores da vida e dignidade humana não se encontram mais na centralidade da humanidade, concretizando-se quando para 0,1% que controla o poder é mais fácil aceitar a extinção do planeta do que o fim de suas regalias.
Bebê recém-nascido em berçário
Bebê recém-nascido em berçário Crédito: Arquivo / Agência Brasil
Como se fosse uma prisão invisível. Aquela que, estando inscrita na subjetividade social, é mais eficaz do que qualquer outra. Os privilegiados desejam o fim da política como potência coletiva, com permanente flerte com o fascismo. Persiste a ausência de um novo horizonte emancipatório, e a periferia foi submersa, novamente, na condição de semicolônia.
Mudar o rumo dessa história é firmar o compromisso com nossos filhos e netos e, de certa forma, com nossa continuidade. Livrar-se dessa prisão invisível é responsabilizar-se com as gerações futuras.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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