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Direitos humanos

Assassinato de Marielle não é suficiente para fazer cessar sua luta

Marielle desde sempre percebeu que a conquista de direitos acontece por meio de processos de luta. Reinventou a atuação e conseguiu olhar para todas e todos

Publicado em 14 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

14 mar 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

STF nega transferência de acusado de matar Marielle para o Rio Crédito: Renan Olaz/ Câmara Municipal do Rio
Era 14 de março de 2018 quando, ao sair do último compromisso do dia, Marielle Franco foi assassinada de forma planejada, articulada e brutal. O projétil que atravessou o corpo negro de uma mulher que estava com o caminho pavimentado para ser uma das maiores personalidades políticas deste país, deixou claro como a luta por direitos incomoda aqueles que querem manter o poder à custa da eliminação do outro.
Se em vida Marielle incomodava, com atuação ampla e atenta, morta a sua voz ecoa de forma amplificada e nada é capaz de conter a força que emana da sua luta. O sangue de Marielle é semente, florescendo a certeza de que não há mais lugar para impunidades.
Sempre que a vida um(a) defensor(a) de direitos humanos é ceifada, uma indagação que foi respondida com propriedade por Herrera Flores preenche o espaço vazio da perda. Por que lutamos pelos direitos? Para o mencionado autor, processos de direitos humanos são estabelecidos, em primeiro lugar, pela necessidade de “ter acesso aos bens exigíveis para viver” e, em segundo lugar, porque os direitos “não caem do céu, nem vão correr pelos rios de mel de algum paraíso terrestre”.
O autor espanhol reverberou, em sua obra a “A Reinvenção dos Direitos Humanos”, que o acesso aos bens “insere-se num processo mais amplo que faz com que uns tenham mais facilidade para obtê-los e que a outros seja mais difícil ou, até mesmo, impossível de obter”.
Marielle desde sempre percebeu que a conquista de direitos acontece por meio de processos de luta. Reinventou a atuação e conseguiu olhar para todas e todos. Também compreendeu que para uma parcela da população, invisibilizada e vilipendiada, o acesso a bens e direitos é impossível, e ao lado desses que se colocou, sendo voz e abrindo espaço para ser vez. Por isso incomodou. Por isso foi interrompida.
Esqueceram seus algozes que interrupção da vida de uma defensora de direitos humanos, da envergadura de Marielle Franco, não é suficiente para fazer cessar sua luta, que reverberou em todo o mundo, que é urgente e não restará silenciada, porque está longe de acabar.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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