A revolução 4.0, conhecida como quarta revolução industrial, é uma expressão que invadiu nossas vidas nas últimas décadas, inserindo no cotidiano das pessoas conceitos super elaborados como internet das coisas, computação em nuvem, algoritmos e sistemas ciber-físicos, entre outros, com a promessa de uma melhoria da eficiência e produtividade de processos. É como se o mundo todo se transformasse no Vale do Silício, soterrando todas as memórias responsáveis pela construção do mundo e escrita da história.
Menos custos, operações em tempo real, manufatura modular, operações integradas e otimização se elencam com essa corrida insana, em que parece que despertamos todos os dias, obsoletamente, para a vida.
Antes de analisar alguns aspectos dessa questão, é importante fixar a premissa de que, como todas as outras revoluções, a que trazemos à baila se apresenta excludente e produz agudização de desigualdades.
Noutro giro, há que se problematizar que, inobstante a utilização desses recursos e tecnologias que impõem um modo de vida violador, é produtor de estereótipos, preconceitos e descriminação. E também por isso carece de cuidados.
Claro que, mesmo inicialmente treinadas por homens, essas tecnologias têm contribuído para avanço em muitas áreas, uma delas a medicina, em que a descoberta de doenças e indicação de tratamentos tempestivos têm salvado muitas vidas, e assim auxiliado aos profissionais da saúde em um front difícil da existência humana.
É preciso compreender-se que para a máquina substituir o fazer humano é preciso que se tome uma decisão de abrir mão de ser. Decisões estão no âmbito dos sistemas neuroemocionais e pertencem, por excelência, à essência humana.
Analisar dados difere de compreensão de contextos e sentimentos. Existe uma parte artesanal da vida que é intransferível, e por mais que se tentem ou desejem, é impossível de se ler.
Inma Martínez, uma especialista em inteligência artificial, recentemente em uma entrevista, sustentou que quanto mais complexa, complicada e abstrata a pessoa é, mais o algoritmo se perde. Isso nos indica que a complexidade da vida, e que é onde reside sua deliciosa essência, não é alcançada pela máquina. E alguns fazeres ligados a arte, literatura, produção (diferente de reprodução) de conhecimento, processos genuínos educativos e relacionamentos afetivos, mesmo que tenham a colaboração de tecnologias, em circunstância nenhuma podem ser substituídos, porque o resultado será catastrófico.
Para recuperar a vida e sua essência, e sairmos da automação irracional que produz doença e tristeza, vamos brincar de enganar o algoritmo. De início, façamos o exercício de desligar as máquinas ao nosso redor por algumas horas ou dias, e vamos recuperar a imprevisibilidade da vida, e assim, nossa alegria. E assim retomar as rédeas da vida, não nos deixando controlar pelo que é frio e calculista.