Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Impostos

Justiça tributária e a ousadia de colocar o pobre no orçamento

Questão vai além da arrecadação: envolve escolhas políticas, prioridades sociais e o compromisso de um país em promover maior equidade e inclusão social

Publicado em 06 de Outubro de 2025 às 03:00

Públicado em 

06 out 2025 às 03:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

A discussão sobre justiça tributária no Brasil ganha contornos ainda mais relevantes quando consideramos as recentes propostas sobre a isenção do Imposto de Renda (IR), aprovada na semana passa na Câmara dos Deputados com votação acachapante, para as camadas mais pobres e a taxação dos mais ricos. Trata-se de uma questão que vai além da arrecadação: envolve escolhas políticas, prioridades sociais e o compromisso de um país em promover maior equidade e inclusão social.
O sistema tributário brasileiro é amplamente reconhecido como regressivo, ou seja, impacta proporcionalmente mais os pobres do que os ricos. Isso ocorre porque a maior parte da arrecadação vem de impostos indiretos, como o ICMS, que incidem sobre o consumo e afetam todos de forma igual, independentemente da renda. Por outro lado, a taxação sobre grandes fortunas, lucros e dividendos é limitada, perpetuando desigualdades históricas. Mantêm-se os privilégios. Concentra-se ainda mais as riquezas.
Impostos: Carga tributária no Brasil é elevada e complexa
Impostos: taxação sobre grandes fortunas, lucros e dividendos é frequentemente apontada como medida de justiça social Crédito: Steve Buissinne/Pixabay
A ampliação da faixa de isenção do IR é uma medida essencial para aliviar a carga tributária sobre os trabalhadores de baixa renda. Essa política reconhece que, para milhões de brasileiros, o salário mal cobre as necessidades básicas, ao considerarmos que o valor indicado pelo DIEESE é de R$ 7.147,91, para suprir o básico de uma família de quatro pessoas, e o salário-mínimo é de R$ 1.518,00.
Ao isentar esses cidadãos do pagamento do IR, o Estado permite que mais recursos permaneçam nas mãos daqueles que mais precisam, estimulando o consumo, aquecendo a economia e reduzindo as desigualdades sociais. Enfim, garantido dignidade.
A taxação dos mais ricos, por meio de impostos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos, é frequentemente apontada como uma medida de justiça social. Em muitos países desenvolvidos, esses mecanismos já são utilizados para financiar políticas públicas e programas de transferência de renda. No Brasil, o avanço dessa pauta representa uma ousadia: desafiar interesses consolidados e buscar um modelo mais progressivo, onde quem tem mais contribua proporcionalmente mais para o financiamento do Estado.
A frase “colocar o pobre no orçamento” simboliza a necessidade de priorizar políticas públicas voltadas para as camadas mais vulneráveis da sociedade. Isso significa garantir recursos para saúde, educação, moradia e assistência social, além de promover oportunidades de inclusão produtiva. Ao aprovar a isenção do IR para os mais pobres e taxar os ricos, o Estado brasileiro sinaliza uma mudança de paradigma, colocando a justiça fiscal no centro do debate político.
Apesar dos avanços, a efetivação dessas medidas enfrenta resistências políticas e econômicas, e ainda deverá ser aprovado no Senado Federal. É necessário um amplo debate público, transparência nas decisões e compromisso com a redução das desigualdades. Investir em educação fiscal, combater a sonegação e aprimorar a gestão dos recursos públicos são passos fundamentais para consolidar uma justiça tributária efetiva.
A aprovação da isenção do IR para os mais pobres e a taxação dos ricos não é apenas uma questão técnica, mas sim uma decisão política e moral. Representa a ousadia de construir um Brasil mais justo, onde todos tenham oportunidades reais de desenvolvimento e dignidade. Colocar o pobre no orçamento é, acima de tudo, um compromisso com a cidadania e com o futuro do país.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mulher roncando
Roncar é perigoso? Especialista explica os riscos e como tratar o problema
Cantor Roberto Carlos comemora os 85 anos em show em Cachoeiro de Itapemirim
Roberto Carlos emociona fãs em show de aniversário em Cachoeiro de Itapemirim
Imagem de destaque
'O dilema de Malaca': por que outra passagem crítica para a navegação gera preocupação no comércio global

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados