Quinze dias antes do segundo turno das eleições municipais, uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com o Ipec, revelou que 80% dos brasileiros não querem participar da vida política na cidade onde moram.
O dado, de denotada preocupação, revela a rejeição das pessoas a se aprofundarem na política, o que pavimenta o caminho para o surgimento de aventureiros, vazios de propostas, de acordo com o Jorge Abrahão, coordenador-geral do Ipec, curiosamente nesse momento em que assistimos a um show de horror, que muitos insistem em chamar, equivocadamente, de “fazer política”.
A necessidade de pensar a política para além, muito além, das eleições é urgente, e para tanto é preciso desmistificá-la. Não podemos tratar a política de forma rasa e rasteira, como num estádio de futebol.
Conceituar política não é uma tarefa fácil, considerando os diversos contextos em que precisamos pensar política. O ponto de partida é ter compreensão histórica de que a política existe para regular as relações da vida em sociedade, e sua existência é anterior à criação dos partidos políticos.
Em Norberto Bobbio, temos que a política é tudo o que se refere à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social. Ou seja, é preciso pensar a política como tudo aquilo que diz respeito a nós, a nossa cidade, ao nosso Estado, ao nosso país, e assim por diante.
A política é tudo. Por isso a importância de compreendermos e participarmos da vida política da sociedade a que pertencemos.
Os assuntos perpassados pela política, que é tudo em nossa vida, como já dissemos anteriormente, são extensos e complexos, pelo fato de serem atravessados pelas subjetividades, mas também, e talvez principalmente, por ter a ver com a democracia.
Em uma primeira análise parece ser pacífico, no entanto, que é preciso compreender a dificuldade em lidarmos com a democracia, considerando sua contradição, inconstância e respeito às diferenças.
A política e a democracia são interligadas. A democracia contemporânea assegura a soberania popular, ou seja, o direito do povo, conforme a legislação vigente, e o processo de tomada de decisões.
Somos agentes políticos, e a concretização do ideal democrático, preconizado no 1º artigo da Constituição Federal de 1988, somente se efetivará quando assumirmos o papel de cidadãos na sua essência.
Ao constituir-se Estado Democrático de Direito, a nossa democracia é fundamentada na soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho, livre iniciativa e pluralismo político.
Portanto, queres ser democrático? Ame as inconstâncias, respeite a diversidade e pratique o diálogo. Em suma, seja um ser político.