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Longa espera

Casos de violência contra criança aguardam meses por decisão da Justiça do ES

Situação foi apontada em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após inspeção realizada em unidades do Espírito Santo

Publicado em 23 de Dezembro de 2025 às 03:30

Públicado em 

23 dez 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

TJES Tribunal de Justiça
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Um cenário de paralisia e falhas na proteção à infância e adolescência foi descortinado pelo recente relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento descreve a situação como “estarrecedora".
Realizada em setembro, a inspeção aponta que o acervo da Vara Especializada em Crimes contra a Criança e Adolescente (Veca) supera 6,2 mil processos, e que vários deles, incluindo casos de estupro de vulneráveis, aguardam há meses por decisões básicas para que a investigação avance.
Um exemplo são os mais de 870 processos que foram identificados sem movimentação há mais de 120 dias no gabinete, e outros 1.864 na mesma situação dentro da secretaria. Todos  possuem prioridade legal por envolverem menores.
Um deles trata do crime de estupro de vulnerável e chamou a atenção da equipe. Está há 576 dias sem caminhar, com a informação de “minutar decisão”. Situação que se repetiu com outros 419 paralisados há mais de 90 dias.
Em 2023, reportagem de A Gazeta denunciou a situação, logo após a criação da Veca. Na ocasião foi constatado que crianças e adolescentes vítima de violência sexual aguardavam há mais de dez anos sem terem sido alcançadas pela Justiça.

Ação rápida

Diante da situação, o CNJ recomendou ao TJ e à Corregedoria a ampliação do número de servidores e a realização de uma força-tarefa para impulsionamento emergencial dos processos
Foi determinada a criação de um plano de trabalho com o objetivo de dar urgente andamento aos processos paralisados há mais de 120 dias, assim como aos processos nos quais é pedida a realização de depoimentos especiais na forma de prova antecipada.
De acordo com o relatório, algumas condições podem estar levando a unidade judicial ao colapso. Entre os problemas que foram identificados:
  • Déficit de pessoal: O gabinete da Veca conta com apenas três integrantes (uma magistrada, duas assessoras e um estagiário) para gerir o acervo
  • Abrangência territorial desproporcional: a unidade atende Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, que concentram quase metade da população do Estado, gerando uma sobrecarga geográfica e logística
  • Deficiências estruturais e de rede: A condições no espaço físico que comprometem o atendimento. A unidade não possui Defensor Público titular e a sala de depoimento especial é inadequada, feita de drywall sem isolamento acústico e localizada ao lado do plenário do Tribunal do Júri, expondo crianças a ruídos e contatos indevidos.
  • Inércia na Fase Pré-Processual: Há um grave represamento de inquéritos e ocorrências policiais; foi relatado que cerca de 16 mil novas investigações
Em entrevista após a posse, a nova presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Janete de Vargas Simões, adiantou que em algumas comarcas será necessário uma intervenção, sinalizando que unidades vão passar por mudanças.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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