Cidades do ES que recusaram Acordo de Mariana querem nova negociação
Após fim do prazo
Cidades do ES que recusaram Acordo de Mariana querem nova negociação
Acordo propõe reparação de mais de 656 milhões para cinco cidades, que haviam recusado a proposta optando por permanecer com ações judiciais
Publicado em 05 de Novembro de 2025 às 12:43
Públicado em
05 nov 2025 às 12:43
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Arte - Geraldo Neto
Prefeitos de cidades do Espírito Santo que recusaram a adesão ao Acordo de Mariana querem retomar as negociações. Um deles, Lastênio Cardoso, de Baixo Guandu, informou que uma proposta já foi apresentada para a mineradora Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton.
O fato ocorre oito meses após o encerramento do prazo de aceite ao plano de reparação, finalizado em março
A reparação é por danos causados pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora, localizada em Mariana (MG). O desastre que atingiu o Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, completa dez anos nesta quarta-feira (5).
Lastênio, que era contrário à proposta das empresas, confirmou as negociações, assinalando que é preciso “encontrar uma solução para o caso”.
“A negociação envolve prefeitos de cidades capixabas e mineiras. Nós já apresentamos uma proposta para as empresas e estamos aguardando uma resposta”.
Mas destacou que a expectativa é de que alguns pontos sejam revistos. O acordo estabelece que o pagamento da reparação para as cidades seja feito em 20 anos, com parcela inicial, à vista, de 20% do total. “Queremos que a parcela inicial seja de 50%”, adiantou Lastênio.
Uma das exigências do acordo é de que as prefeituras deixem de participar das ações judiciais. Nesta quinta-feira (6), segundo Lastênio, os prefeitos também vão se reunir com o escritório de advocacia Pogust Goodhead, responsável pelos processos judiciais no exterior.
“Queremos ouvir a proposta deles, se podem nos oferecer algo melhor”, disse, acrescentando que esperam ainda aumentar o valor das indenizações individuais.
O Acordo de Mariana foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 6 de novembro do ano passado. Ele inclui onze cidades do Espírito Santo, mas as cinco listadas abaixo não fizeram a adesão ao pacto, que estabelecia como reparação pelos danos os seguintes valores:
Aracruz - R$ 144,4 milhões
Baixo Guandu - R$ 95.736.979,09
Colatina - R$ 292.825.790,83
Marilândia - R$ 40,2 milhões
Sooretama - R$ 83 milhões
Negociações
Guerino Balestrassi, titular da Secretaria Recuperação do Rio Doce (SERD), relata que o principal interlocutor das negociações entre as empresas e os municípios é o governo federal.
Mas disse que aproveitou uma conversa com o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, para destacar a importância da inclusão das outras cidades no acordo.
“Pedimos a reabertura do prazo de adesão para que outras cidades possam participar da proposta de reparação".
Ele informou que tem conversado sobre o tema com quatro prefeitos. "Temos conversado com os municípios e acreditamos que, em breve, esta negociação será fechada”, acrescentou o secretário.
Empresa nega
Por nota, a mineradora Samarco negou uma possível reabertura do processo de adesão destinada as cidades dos dois estados afetados pela lama de rejeitos.
"A Samarco informa que não está prevista a reabertura, e reafirma que cumpre rigorosamente o previsto no Novo Acordo do Rio Doce", informou em seu texto.
Resultado da ação
De acordo com o escritório de advocacia Pogust Goodhead, buscam a responsabilização da mineradora em uma ação coletiva na Inglaterra, empresas, comunidades indígenas e quilombolas, municípios, autarquias, além de dezenas de pessoas .
Informa que a primeira fase do julgamento, realizada entre outubro de 2024 e março de 2025, foi concluída e está sendo aguardada a decisão.
“O Pogust Goodhead já trabalha na segunda fase do processo, prevista para outubro de 2026, que vai determinar a extensão total dos danos causados pelo rompimento e a relação causal entre o desastre e as perdas sofridas pelos atingidos, para então calcular a indenização devida a eles”, informa.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.