O “negociador” dos produtos já tinha sido preso em uma ação no Paraguai, onde foi levado a um hospital para tratamento médico e de lá conseguiu fugir disfarçado de médico.
O fato foi citado na decisão desta semana que concedeu a liberdade provisória para o grupo. No texto o Juízo da 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, ao se referir às observações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), faz referência a um dos acusados, citando o “histórico de fuga do sistema prisional quando estava preso no Paraguai".
Trata-se de Kelvis Fernando Rodrigues, conhecido como Cabelo Mexicano. Ele foi solto junto com Frederico Hermsdorff Bruschi Horsth, seu aliado; e ainda com os empresários capixabas Jorge Gabriel Batista Clementino e André Clementino (pai e filho) e um o agregado deles, Peterson Roos.
Eles foram presos no mês de outubro sob acusação de envolvimento em contrabando de cigarros, associação criminosa e lavagem de dinheiro, crimes que teriam sido cometidos em três estados: Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A defesa de Kelvis nega seu envolvimento (veja abaixo).
A eles foi concedida liberdade provisória mediante o cumprimentos de algumas medidas cautelares: uso de tornozeleira, proibição de se ausentar do domicílio de residência por período superior a 8 dias sem autorização judicial, proibição de manter contato com os outros investigados, salvo André e Jorge (pai e filho), manter o endereço residencial atualizado e comparecer a todos os atos da investigação e do processo quando intimados.
Informações desta investigação apontam que ele se apresentou como um representante, oferecendo marcas de cigarro paraguaio contrabandeado ou falsificado, ambos para serem distribuídos pela empresa capixaba.
Durante as buscas realizadas, foram apreendidos mais de R$ 5 milhões em espécie, em diferentes moedas (reais, dólares e euros), além de 65 caixas de cigarros de marcas paraguaias proibidas no Brasil, como Gift, San Marino e Eight, avaliadas em mais de R$ 200 mil. Foram confiscadas cinco armas de fogo, quatro veículos de luxo, avaliados em mais R$ 500 mil, e diversos cheques caução emitidos por compradores de cigarros.
Processos que tramitam na Justiça Federal em vários estados na região de fronteira apontam que Kelvis está no mercado de contrabando e comercialização de cigarros, até dos falsificados, há muitos anos. E já foi preso algumas vezes, inclusive no Paraguai.
Foi o que ocorreu em 2018, durante uma operação da procuradoria paraguaia, em que ele foi acusado da morte de um outro cigarreiro da região de fronteira. Posteriormente foi internado por problemas respiratórios na cidade de Pedro Juan Caballero, onde conseguiu driblar a escolta policial e escapou do hospital vestido de médico. Foi detido meses depois no Brasil.
O advogado José Augusto Marcondes de Moura Júnior faz a defesa de Kelvis. Ele avalia como correta a decisão que garantiu a liberdade provisória a seu cliente, assinalando que ele não ofereceu produto falsificado a empresários capixabas.
“A decisão é certa por dois motivos, sendo o primeiro deles o fato do grampo que motivou a prisão ter mais de dois anos, venceu o prazo. E não tem materialidade, porque não existe tentativa de contrabando no Código Penal”, disse.
Ele acrescentou que seu cliente ofereceu a comercialização de um cigarro nacional. “Não tem crime, não vendeu nada para o André Clementino”, destacou.
Em relação a fuga do Paraguai, ele informou que naquele país as pessoas são esquecidas na cadeia. “Eles podem recorrer à Justiça brasileira, mas o Brasil não extradita brasileiros”, acrescentou.
Os advogados dos demais acusados não foram localizados. O espaço segue aberto a manifestação