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Operações

Criminoso internacional veio ao ES para suposta venda de cigarro falsificado

Caso está sendo investigado pela Polícia Federal e resultou na prisão de cinco pessoas; elas foram liberadas esta semana pela Justiça Federal no ES

Publicado em 27 de Novembro de 2024 às 14:36

Públicado em 

27 nov 2024 às 14:36
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

contrabando cigarro
Crédito: Arte: Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Após a vinda de um criminoso internacional ao Espírito Santo, cinco pessoas foram presas em uma operação da Polícia Federal, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Receita Federal. O encontro com empresários capixabas foi para uma suposta comercialização de cigarros falsificados ou contrabandeados.
O “negociador” dos produtos já tinha sido preso em uma ação no Paraguai, onde foi levado a um hospital para tratamento médico e de lá conseguiu fugir disfarçado de médico.
O fato foi citado na decisão desta semana que concedeu a liberdade provisória para o grupo. No texto o Juízo da 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, ao se referir às observações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), faz referência a um dos acusados, citando o “histórico de fuga do sistema prisional quando estava preso no Paraguai".
Trata-se de Kelvis Fernando Rodrigues, conhecido como Cabelo Mexicano. Ele foi solto junto com Frederico Hermsdorff Bruschi Horsth, seu aliado;  e ainda com os empresários capixabas Jorge Gabriel Batista Clementino e André Clementino (pai e filho) e um  o agregado deles, Peterson Roos.
Eles foram presos no mês de outubro sob acusação de envolvimento em contrabando de cigarros, associação criminosa e lavagem de dinheiro, crimes que teriam sido cometidos em três estados: Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A defesa de Kelvis nega seu envolvimento (veja abaixo).
A eles foi concedida liberdade provisória mediante o cumprimentos de algumas medidas cautelares: uso de tornozeleira, proibição de se ausentar do domicílio de residência por período superior a 8 dias sem autorização judicial, proibição de manter contato com os outros investigados, salvo André e Jorge (pai e filho), manter o endereço residencial atualizado e comparecer a todos os atos da investigação e do processo quando intimados.

A negociação e a fuga

Kelvis veio ao Estado para se reunir com André e Jorge Clementino, proprietários de uma distribuidora em Vila Velha. O encontro foi monitorado pelas forças policiais e deu origem à Operação Ressaca, que prendeu os cinco em outubro.
Informações desta investigação apontam que ele se apresentou como um representante, oferecendo marcas de cigarro paraguaio contrabandeado ou falsificado, ambos para serem distribuídos pela empresa capixaba.
Durante as buscas realizadas, foram apreendidos mais de R$ 5 milhões em espécie, em diferentes moedas (reais, dólares e euros), além de 65 caixas de cigarros de marcas paraguaias proibidas no Brasil, como Gift, San Marino e Eight, avaliadas em mais de R$ 200 mil. Foram confiscadas cinco armas de fogo, quatro veículos de luxo, avaliados em mais R$ 500 mil, e diversos cheques caução emitidos por compradores de cigarros.
O grupo criminoso teria ligação com uma fábrica clandestina de cigarros descoberta em agosto de 2023, na Serra, onde a corporação apreendeu maquinário, insumos para produção e mais de quatro mil caixas de cigarros prontas para venda, na Operação Kapnós.
Processos que tramitam na Justiça Federal em vários estados na região de fronteira apontam que Kelvis está no mercado de contrabando e comercialização de cigarros, até dos falsificados, há muitos anos. E já foi preso algumas vezes, inclusive no Paraguai.
Foi o que ocorreu em 2018, durante uma operação da procuradoria paraguaia, em que ele foi acusado da morte de um outro cigarreiro da região de fronteira. Posteriormente foi internado por problemas respiratórios na cidade de Pedro Juan Caballero, onde conseguiu driblar a escolta policial e escapou do hospital vestido de médico. Foi detido meses depois no Brasil.

O que diz a defesa

O advogado José Augusto Marcondes de Moura Júnior faz a defesa de Kelvis. Ele avalia como correta a decisão que garantiu a liberdade provisória a seu cliente, assinalando que ele não ofereceu produto falsificado a empresários capixabas.
“A decisão é certa por dois motivos, sendo o primeiro deles o fato do grampo que motivou a prisão ter mais de dois anos, venceu o prazo. E não tem materialidade, porque não existe tentativa de contrabando no Código Penal”, disse.
Ele acrescentou que seu cliente ofereceu a comercialização de um cigarro nacional. “Não tem crime, não vendeu nada para o André Clementino”, destacou.
Em relação a fuga do Paraguai, ele informou que naquele país as pessoas são esquecidas na cadeia. “Eles podem recorrer à Justiça brasileira, mas o Brasil não extradita brasileiros”, acrescentou.
Os advogados dos demais acusados não foram localizados. O espaço segue aberto a manifestação

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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