Os trabalhos, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, vão ser retomados na manhã desta sexta-feira (6).
“Equipe da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa de Guarapari, com o apoio do chefe da DHPP de Vitória, realizou várias diligências. Percorrem o sítio, com o apoio de cães, e não encontraram a cabeça da vítima. Chegou até ser cogitado que ela teria sido levada por um animal, mas não foram encontrados rastros de que isto tenha ocorrido”, explicou.
Segundo Arruda, a decapitação foi feita com uma faca afiada, de uma forma especializada. “Tudo indica que não houve uso, por exemplo, de um machado”.
O delegado-geral explica que a partir de agora, paralelo às buscas que já estão sendo realizadas, a polícia também se volta a ouvir o depoimento de familiares e pessoas que conheciam Dante ou que com ele teve contato.
“A investigação agora se volta para a vítima e sua história. Queremos saber com quem convivia, os últimos a estarem com ele, os contatos que realizou antes de morrer”, conta.
Um dos pontos investigados vem da informação de que a família teria posto o sítio à venda.
No início dos anos 1970, Dante Brito Michelini, mais conhecido como Dantinho, foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça pelo desaparecimento, estupro e morte de Araceli Cabrera Crespo, de apenas oito anos.
Reportagem e documentário realizado por Aline Nunes e Carol Ferreira revelaram os bastidores do crime. A menina sumiu no dia 18 de maio de 1973, após sair da escola na Praia do Suá, em Vitória, e seu corpo foi encontrado seis dias depois, com marcas de violência sexual, no matagal de um morro nas imediações do Hospital Infantil, também na Capital.
Também foram acusados pelo crime o seu pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Constanteen Helal. Dantinho se declarou inocente, assim como os outros acusados. No primeiro julgamento, em 1980, os três haviam sido condenados.
Em 1991, porém, uma sentença definitiva os absolveria por falta de provas decorrente de problemas ainda na fase de investigação policial. Nenhum outro suspeito respondeu pelas acusações e, em 1993, o crime prescreveu, deixando os autores sem punição.