Um projeto de iniciativa popular quer garantir para as vítimas de crimes e atos infracionais cometidos no
Espírito Santo benefícios que vão da isenção de taxas de concursos até indenizações pagas pelos criminosos. A proposta visa criar, a partir da aprovação da legislação, um programa de defesa e amparo aos que são alvos de situações que vão de um furto até homicídios, incluindo também os familiares.
A iniciativa é da Associação Espírito Santense do Ministério Público (AESMP). De acordo com o seu presidente, o promotor Leonardo Augusto de Andrade Cezar dos Santos, na maior parte dos casos, após as ações violentas, os olhares dos órgãos que compõem o sistema de justiça se voltam para os criminosos, sua localização, prisão até condenação. Mas e como ficam as vítimas?
“Esquecidas. Elas e os seus familiares são deixados de lado. Isto ocorre todos os dias, seja em casos de furto, roubo, homicídio ou outros crimes. Veja a audiência de custódia, por exemplo, realizada logo após a prisão, quem é ouvido é o criminoso. E a vítima que é alvo do crime?”, questiona o promotor.
Pelo proposta, vão ser oferecidos os seguintes benefícios:
O presidente da Associação explica que se aprovada, a lei trará para as vítimas uma contraprestação pelos danos sofridos. “O que se deseja é mudar o olhar sobre a vítima, dando a ela um subsídio legislativo de amparo”, explica, informando ainda que todos os tipos de crime — roubo, ameaça, tortura, homicídio, entre outros — vão ser considerados para a concessão do benefício.
Terá acesso à reparação, segundo a proposta de lei:
Mas serão estabelecidas algumas condições para garantir o acesso a reparação, sendo a principal a necessidade de que haja um processo tramitando ou que já tramitou na Justiça estadual. Com isto será possível obter junto ao cartório uma espécie de “certidão de vítima”. Veja outras situações em que será possível obter o documento:
Também está sendo considerada a criação de um cadastro estadual de vítimas. Seria uma forma de identificar todos os beneficiários, o que facilitaria a obtenção da "certidão de vítima" para ter acesso à reparação. Outro detalhe é que o benefício terá validade enquanto durar o efeito da pena aplicada ao criminoso ou da medida destinada ao menor.
O projeto é de iniciativa popular. Será disponibilizado um site (
www.soupelavitima.com.br) para obter um mínimo de 30 mil assinaturas para que ele possa ser apresentado à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), cujo presidente, Marcelo Santos, já foi informado sobre a proposta. Nas redes sociais da Associação há ainda a campanha #somostodospelavítima.