Boa parte dos brasileiros, na última semana, dedicou tempo e olhar para a TV a fim de acompanhar as sabatinas e debates promovidos pelas emissoras com os principais candidatos à Presidência do Brasil. Tivemos de certo modo, na sabatina e no debate, resultados antagônicos. Por um lado, pela própria configuração do formato de cada um, mas por outro imperaram as consequências da polarização.
O ex-presidente Lula chegou a dizer em tom filosófico que “no Brasil, sempre tivemos polarização, mas o problema não é a polarização, é o ódio que nela contém. A polarização é saudável”. Bom, será mesmo? Basta olharmos as suas nuances nos debates.
Historicamente, um debate tem o objetivo de confrontar ideias, conversar com os diferentes e divergentes, expor pautas, apresentar planejamentos que dialoguem com o presente e o futuro do país. Nas sabatinas do Jornal Nacional, entre o candidato e o apresentador, os candidatos da polarização deram conta dos questionamentos. Lula, do polo da esquerda, foi considerado um dos melhores. Bolsonaro, crítico da globo">Globo, usou da oportunidade, defendeu suas ideias e a ideia dos seus discípulos, mas ali eles não tinham olhares e pensamentos de confronto. Ainda que tivessem que engolir perguntas de Bonner e Renata.
No debate, Lula e Bolsonaro não deram conta nem de ficar lado a lado. A resistência venceu. Ali, só deu conta de enfrentar o formato Simone Tebet, considerada uma das melhores atuações. Ela, que está no centro, olhando para um lado e para o outro e representando essa visão despolarizada, soube confrontar, argumentar, ser questionada, e trabalhar como deveria.
Já Lula se esquivou. Quis imitar o JN, mas ali ele tinha olhares contrários e divergentes, não deu certo. Bolsonaro, acostumado com o cercadinho, perdeu até o equilíbrio, esboçou misoginia, atacando a jornalista Vera Magalhães da TV Cultura. Colocou para fora raiva, ódios, princípios e desvalores.
Podemos dizer que o debate foi quase que uma fotografia do Brasil de hoje. Parece que tendemos a sair das eleições mais pobres. Uma nação “mestiçada”, isto é, misturada como a nossa, perdeu (ou está perdendo) suas características e capacidades de dividir espaços com os diferentes, passou a viver em polos. Vamos precisar reaprender a conversar, a conviver, vamos ter que furar as bolhas, quebrar cercadinhos e construir pontes. Só não sabemos se será dessa vez.