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Brasil

Entre o fanatismo e o patriotismo, o que esperar?

Desde a escola, quando cantávamos o Hino Nacional, aprendi que ser patriota é ser um devoto da pátria, ou seja, ter um afeto sincero e fervoroso ao “chão e aos costumes” da nação

Publicado em 06 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

06 jan 2022 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

As eras marcam um período do tempo. Quando folheamos a história, vemos que nas fatias da linha as eras são marcadas por um nome, por uma identidade, e por características muito próprias. Assim foram os períodos de fascismo,  nazismo,  ditaduras,  guerras, revoluções,  lutas, e daí por diante. Hoje, em meio a um tempo já bem duradouro, estamos convivendo com o fanatismo, obsessão que pode levar aos extremos da intolerância. Ela advém da religiosidade, fala-se até do zelo religioso, mas atravessou a rua e foi pro lado da política, da família, da comunidade, do trabalho, infestou tudo.
Parece surreal escrever sobre esse tema, mas quando a gente para para pensar ou analisar as quatro linhas onde está o fanatismo, lá também está residindo a ideal de patriotismo. Desde a escola, quando cantávamos o Hino Nacional, aprendi que ser patriota é ser um devoto da pátria, ou seja, ter um afeto sincero e fervoroso ao “chão e aos costumes” da nação. Então, como tratar dos dois assuntos dentro de um mesmo teto?
Nesta semana acompanhamos pela imprensa o processo de internação do presidente Bolsonaro em função de complicações no sistema intestinal a partir da facada. Essa internação rendeu. Nas redes sociais, o juízo de valor aflorou desde memes até calúnias e difamações, sobretudo, com o médico do presidente.
Em razão disso, a sua filha, através da imprensa, desabafou: “Meu pai trata o Bolsonaro como um presidente por quem tem apreço e respeito, como tem por tantos outros cidadãos dos quais ele cuida e salva a vida todos os dias. (...) Gente, as pessoas são tão fanáticas que desprezam a vida dos outros, a saúde, por ideologia e política. Ofendem um médico que é um orgulho para o país, não um marqueteiro, político, e, sim, uma pessoa reconhecida internacionalmente pelos feitos na Medicina.”
Depois desse desabafo, eu me lembrei: um belo dia eu ouvi de um professor que o fanatismo é uma venda. Aquilo que se coloca no olho e nos impede de ver, de enxergar, de alcançar a realidade que nos cerca. Nunca mais esqueci. Fanatismo pode ser um estilo, um conceito, mas de fato ele é uma venda que é usada nos dois lados do cabo de guerra. Olhemos para o Brasil!
Por ora, eu termino dizendo: fanatismo e patriotismo são os únicos extremos que se dão bem nesse país, mesmo não fazendo o mínimo sentido. Patriotismo não é propriedade dos fanáticos, mas deve ser de todos. Aliás, patriotismo não é propriedade, ele é na sua inteireza aquilo que devemos honrar independente de lados e de ideologia. Usar do patriotismo para ilustrar a venda do fanatismo não cabe e não cola.
De fanático a fanático, o ódio vai sendo destilado, e no final das contas quem tem bom senso, ao invés de se sentir patriota, se sentirá estrangeiro da própria terra que nascera uma vez que o afeto pelos costumes, pelo povo e pela cultura se perdera para os fanáticos de plantão que fizeram a opção de crer sendo alheio à realidade e muitas das vezes à verdade. Que em 2022 a gente possa superar essa outra pandemia ou pandemônio.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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