Quase sempre temos visto pessoas se expressando nas suas redes ou em diversos veículos, com acenos de reivindicações, questionamentos e até ataques a partir de argumentos sem apuração e comprovação para sustentar aquilo que chamam de “liberdade de expressão”.
Esse termo está bastante na linha da democracia e, por vezes, aparece no contexto em que a mesma está em debate. Talvez seja hora de aprendermos o que é democracia e o que é liberdade de expressão, já que a polarização tem um tanto quanto “anulado” as duas.
A priori, o artigo de hoje fomenta uma reflexão importante sobre essas questões, mas vai ao encontro, sobretudo, daquilo que se compreende como liberdade de expressão nas redes sociais, esse espaço democrático, que dá lugar à voz de todos. Nas redes todos são “comunicadores”, todos são emissários, e muitos são até mesmo mensagem.
Antes da comunicação, acontecia apenas dentro de estúdios e redações. As notícias que líamos chegavam a nós pelos profissionais do jornalismo, da notícia, da investigação, da apuração. Hoje, as redes e seus usuários têm feito a notícia e as “fake news”, e muitas vezes os “antigos” autores da notícia se tornaram peritos da informação, isto é, da notícia.
Precisamos sempre, pela lente da verdade, olhar para a liberdade de expressão, distinguindo convicção de apuração. Isso é essencial. Há jornalistas e comunicadores convictos do que pensam, engessados nas ideologias, e que quando se encontram com a apuração desmontam as convicções, mas divulgam a convicção e não a apuração, da mesma forma, e em grande escala, temos pessoas nas redes sociais e nos mensageiros digitais.
A pergunta que devemos nos fazer diante dessa vereda é: o que vem a ser então a liberdade de expressão? E daí começamos a ver o sentido do conceito: todos, todos poderão exprimir, desde que seja a verdade, que seja a dúvida, que seja a apuração, que seja a convicção, mas que não seja a mentira, a ofensa, o crime. É isso que precisamos fomentar e criar na consciência dos que nos cercam e dos que cercam a internet nos tempos de hoje.
Até quando vamos viver esse tempo? É a pergunta que muitos se fazem. A democracia também nos ensina e nos apresenta os limites. Ser livre nos coloca num lugar ou num estado de permissão de ser quem desejamos desde que eu não ofenda e nem elimine o lugar do outro. O limite da democracia é sempre o respeito. Quanto mais respeito, mais democracia. E respeitar significa, muitas das vezes, não ter a própria convicção aceita pelo outro. Respeitar é um exercício de abertura para que a liberdade de expressão não seja só minha, mas também do outro.