Muita gente anda assustada com o mais novo documentário da Netflix sobre o “dilema das redes”. Tudo por conta do tráfego e da exposição de dados dos perfis nas redes sociais e do seu uso para saber como usar a agulha hipodérmica através das redes sociais. Nesse contexto, também entrou em vigor uma lei de proteção de dados desde o último dia 18 de setembro.
A redação busca regulamentar e garantir maior privacidade aos dados de modo que, ao serem coletados, as empresas precisão do consentimento do usuário sobretudo quanto à sua finalidade. Por hora, a publicidade precisará buscar se reinventar. A humanização desse novo processo é fundamental, de modo que a persuasão precisa ser significativa e estreitamente empática.
Com o documentário, é possível notar a fórmula da manipulação dos dados para convencer e também para conseguir respostas. “Quando você olha em volta, parece que o mundo está enlouquecendo. Você precisa se questionar: isso é normal? Ou será que fomos todos enfeitiçados de uma certa maneira?”, diz o documentário, que também enfatiza que na internet somos tratados como personas e não como humanos. Os dados nos rotulam, mas não possuem de forma alguma o poder de nos compreender humanamente.
A lei de proteção de dados, ainda que seja questionada, parece oferecer alguma resposta à privacidade do usuário. Por um lado, uma pedra no meio do caminho de tantos que não sentam para ouvir ou compreender o cliente, mas seguem seus rastros. Claro que os caminhos que percorremos dizem, de alguma forma, quem somos, revelam nossos anseios e necessidades.
Nesse campo, noto que há algo pior do que nossos dados. Eles importam muito, mas ainda mais delicados são aqueles que vigiam nossos rastros a todo momento e, assim, nos observam para ver e buscar entender nosso tudo. A lei soa como um vigia que antes de tudo vai dizer que existe, que vai acompanhar nosso trajeto, e explicar como vai usar tudo o que observou a nosso respeito. Claro que no fundo é lucro. Mas a lei pede nossa consciência. Isso é um avanço.
O documentário acompanha Tristan Harris, ex-designer do Google, dizendo que tentou mudar esse panorama enquanto estava na empresa. Não conseguiu, deixou a companhia e se tornou um grande propagador dos perigos da internet gerados por decisões de de um grupo de 50 designers entre 20 e 35 anos da Califórnia sobre a vida de 2 bilhões de pessoas. "Dois bilhões de pessoas terão pensamentos que não teriam normalmente porque um designer do Google disse: é assim que as notificações vão aparecer na tela para a qual você olha quando acorda”, arremata ele.
Harris não conseguiu mudar essa realidade dentro da empresa, mas nós podemos a partir dos limites que estabelecemos. Quem sabe nossos limites despertarão novas fórmulas de comunicação com a pessoas, e não apenas com as “personas”? As personas são ferramentas úteis, mas as pessoas precisam ser a inspiração da comunicação.